Grandes empresas norte-americanas e multinacionais que operam nos Estados Unidos entraram em campo para tentar barrar a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros proposta pelo governo de Donald Trump. Coca-Cola, Tesla, eBay e Nestlé estão entre as companhias que enviaram comentários ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, pedindo isenção ou algum tipo de alívio na medida. O prazo para manifestações terminou em 1º de julho, e o órgão recebeu 365 comentários de empresas, associações e cidadãos. Audiências sobre o tema ocorrem nesta semana, com fala prevista do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro.
A tarifa tem base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, um dispositivo que permite ao país impor taxas sobre mercadorias de nações cujas práticas seriam consideradas prejudiciais ao comércio americano. O governo Trump justificou a medida citando políticas de comércio digital e de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais tidas como injustas, questões de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal. A investigação, iniciada em julho do ano anterior, concluiu que o Brasil adotaria práticas discriminatórias, embora tenha proposto uma extensa lista de exceções.
Os veículos de direita, como a Revista Oeste e a Jovem Pan, enfatizaram o argumento econômico das empresas: a taxação elevaria custos, comprometeria cadeias de suprimento e reduziria a competitividade da indústria americana. A cobertura de centro, ancorada no material do Estadão Conteúdo, detalhou a base legal da medida e trouxe paridade ao explicar tanto as razões oficiais da tarifa quanto os pedidos das companhias. A Coca-Cola pediu a manutenção da isenção para insumos de laranja e a inclusão do limão na lista de exclusão, lembrando que a produção da Flórida despencou de 242 milhões de caixas na safra 2003/2004 para apenas 12 milhões na safra 2025/2026, o que tornaria o fornecimento brasileiro um insumo essencial. A Tesla, de Elon Musk, afirmou ter investido bilhões em uma cadeia verticalizada nos Estados Unidos, mas ressaltou que certos insumos críticos ainda não podem ser obtidos em escala e qualidade suficientes no país. O eBay pediu isenção para produtos usados, sustentando que taxar bens de segunda mão não pressiona o fabricante original e apenas encareceria itens para famílias americanas de baixa renda.
Os veículos de esquerda, como o ICL Notícias, destacaram um ângulo distinto: o de que o próprio mercado americano rejeita o tarifaço e de que a medida prejudica os consumidores dos Estados Unidos, sobretudo os de menor renda. Essa cobertura ampliou o rol de empresas que se manifestaram, citando também Nestlé, Faber-Castell, Siemens, e exportadoras brasileiras como WEG, Bauducco e CSN, e deu relevo à dimensão política do episódio, com a fala do pré-candidato Flávio Bolsonaro na audiência do USTR e a confirmação de que o Brasil buscava nova rodada de negociação com os Estados Unidos antes do prazo de 15 de julho.
O que ainda não se sabe é qual será a decisão final do USTR: se acatará os pedidos de isenção, se manterá a tarifa integral ou se ampliará a lista de exceções. Também permanece em aberto o desfecho das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e o eventual impacto concreto sobre preços, exportações e cadeias produtivas caso a taxação de 25% entre em vigor.