Duas pesquisas de intenção de voto divulgadas na primeira semana de julho de 2026 mostram o senador Sergio Moro (PL) na liderança da disputa pelo governo do Paraná, à frente do deputado Requião Filho (PDT) e do ex-prefeito Rafael Greca (MDB). Dias depois, a Justiça Eleitoral do Paraná suspendeu a divulgação de um dos dois levantamentos, atendendo a um pedido do PSD-PR.
O primeiro estudo, feito pelo instituto Vox Brasil com 2.000 eleitores entre 29 de junho e 1º de julho, colocou Moro entre 39,6% e 49,2% das intenções de voto, dependendo do cenário testado, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Um segundo levantamento, da Paraná Pesquisas, encomendado e pago pelo Partido Liberal ao custo de R$ 135,9 mil, confirmou a tendência: Moro apareceu com 39,9%, seguido por Requião Filho, com 21,1%, e Greca, com 14,5%. Ambas as pesquisas têm registro no Tribunal Superior Eleitoral e testaram inclusive cenários com apoios políticos declarados, como o de Flávio Bolsonaro a Moro e o de Lula a Requião Filho.
A cobertura de centro relatou os números das duas pesquisas com ênfase na metodologia, no financiamento declarado e nos registros oficiais no TSE, sem atribuir intenção às campanhas. Já veículos de esquerda destacaram que a pesquisa Paraná Pesquisas foi paga diretamente pelo partido de um dos candidatos avaliados, o que reforça a necessidade de escrutínio sobre o financiamento de levantamentos eleitorais e sobre a desigualdade de recursos entre pré-candidatos. Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram a liderança consistente de Moro em todos os cenários e a transparência na divulgação do contratante e do custo da pesquisa como evidência de lisura no processo.
Em 8 de julho, a Justiça Eleitoral do Paraná suspendeu a divulgação dos resultados da pesquisa Vox Brasil, registrada sob o número PR-09668/2026, após pedido do diretório estadual do PSD. A decisão liminar, da desembargadora federal Cláudia Cristina Cristofani, determinou que o instituto pare de divulgar, republicar ou promover os resultados até nova deliberação, sob multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 50 mil. Conteúdos já publicados tiveram prazo de 24 horas para sair do ar ou receber aviso de suspensão judicial.
O que ainda não se sabe é qual argumento jurídico específico levou o PSD a contestar a pesquisa Vox Brasil, nem se a Justiça Eleitoral decidirá, em caráter definitivo, permitir ou não a republicação dos dados suspensos.