A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente no domingo, 16 de agosto, um dia depois de encerrado o prazo de registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São 13 candidatos na disputa pela Presidência da República, entre eles Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Pablo Marçal (PRTB), Augusto Cury (Avante) e Edmilson Costa (PCB). O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o eventual segundo turno para 25 de outubro.
Nos estados, o quadro também ficou definido. São Paulo, maior colégio eleitoral do país com 34,1 milhões de eleitores, terá sete candidatos ao governo, três a menos que na eleição anterior. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tenta a reeleição com Felício Ramuth (MDB) como vice e oficializou a candidatura em 1º de agosto. Fernando Haddad (PT), que deixou o Ministério da Fazenda em março de 2026 para disputar o pleito, teve a candidatura confirmada em 25 de julho, com Márcio França (PSB) na chapa. Completam a lista Carlos Machado (PCB), Izadora Dias (PCO), Policial Edjane (Agir), Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP). Duas cadeiras do Senado por São Paulo atraíram 14 candidatos, entre eles Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Salles (Novo). No Rio de Janeiro, 16 nomes disputam outras duas vagas, incluindo Benedita da Silva (PT), Carlos Jordy (PL), Marcelo Crivella (Republicanos), Pedro Paulo (PSD) e Monica Benicio (PSOL). No Pará, nono colégio eleitoral do país com 6,27 milhões de eleitores, a governadora Hana Ghassan (MDB) busca a reeleição com apoio de uma coligação de doze partidos e tem Dr. Daniel (Podemos) como principal adversário, ao lado de Araceli (PSOL), Cleber Rabelo (PSTU), Gal Leite (UP) e José Moita (Democrata).
A cobertura de centro concentrou-se no serviço eleitoral e no conteúdo dos programas. Foram publicados perfis biográficos de cada candidato paulista, o levantamento das propostas dos 13 presidenciáveis em oito áreas, entre elas economia e emprego, saúde, educação, segurança, meio ambiente e combate à corrupção, além dos números do registro no Pará e de uma pesquisa Real Time Big Data divulgada em 4 de agosto, que apontou Hana Ghassan com 31% e Dr. Daniel com 29%. Esse material mostra plataformas em rota de colisão: propostas de estatização do setor privado de saúde, estatização do ensino privado, fim da autonomia do Banco Central e extinção do Senado Federal aparecem lado a lado com flexibilização da CLT para pagamento por hora, retomada do Programa Nacional de Desestatização, suspensão da reforma tributária por um ano, anistia aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 e limitação das decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal.
Os veículos de direita deram outra ênfase ao mesmo fato. Trataram a disputa paulista como reedição do embate de 2022 entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad, classificaram as candidaturas de PCB, PCO, PSTU e Unidade Popular como legendas menores e sem representatividade, e destacaram que são siglas de esquerda que não se aliaram ao PT. Também deram relevo à ausência do PSDB, que comandou o governo paulista por 28 anos, entre 1994 e 2022, e ficou sem candidato depois da derrota no último pleito. Já entre os veículos de esquerda não houve, até o momento, cobertura deste recorte no conjunto de fontes analisado, o que deixa sem contraponto tanto a leitura sobre o peso das candidaturas fora do PT quanto o debate sobre financiamento e estrutura de campanha.
O que ainda não se sabe é relevante. Todos os registros dependem do aval da Justiça Eleitoral, e os tribunais regionais podem julgar parte deles apenas depois da votação, o que mantém em aberto quem de fato estará na urna. Vários programas presidenciais seguem incompletos, com candidatos que ainda não apresentaram propostas em meio ambiente, política externa ou programas sociais. Não há, no material disponível, pesquisas de intenção de voto para São Paulo e Rio de Janeiro, nem ficha técnica do levantamento citado no Pará, o que impede medir a distância real entre os concorrentes a essa altura da campanha.