O senador Romário (PL-RJ) anunciou na terça-feira, 30 de junho de 2026, que abriu mão de seu salário parlamentar durante o período em que acompanhará a Copa do Mundo nos Estados Unidos. Por meio de ofício enviado à Presidência do Senado, o ex-jogador pediu que não seja paga a remuneração entre 11 de junho e 19 de julho, datas do primeiro e do último dia da competição, e afirmou que devolverá aos cofres públicos qualquer valor eventualmente recebido nesse intervalo. Um senador da República recebe atualmente cerca de R$ 46,3 mil por mês.
A cobertura de centro relatou os fatos com equilíbrio. Romário viajou aos Estados Unidos para atuar como comentarista da CazéTV, emissora que transmite os jogos, e escreve uma coluna sobre a Copa para o jornal O Globo. Segundo o próprio senador, ele optou por não pedir licença do mandato porque quer participar da votação da Proposta de Emenda à Constituição que põe fim à escala de trabalho 6x1. Para isso, continua participando das sessões de forma remota, por videoconferência, valendo-se do Sistema de Deliberação Remoto do Senado, que permite registrar presença e votar à distância sem prejuízo salarial durante o período de sessões semipresenciais, até o início do recesso, em 18 de julho.
Há pontos em que os relatos convergem. Todos registram que a decisão veio após Romário ser cobrado nas redes sociais por manter o mandato enquanto exerce a atividade parlamentar diretamente dos Estados Unidos, e que o senador já havia cumprido uma licença de 120 dias iniciada no fim de 2025, limite máximo anual de afastamento, o que o impedia de solicitar nova licença. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), saiu em defesa do parlamentar, afirmando que ele honra o Brasil como ídolo do futebol e atribuindo as críticas à polarização política e a ataques nas redes.
A divergência de cobertura aparece na ênfase. Veículos de direita destacaram o caráter voluntário do gesto, a promessa de devolver o dinheiro aos cofres públicos e o compromisso de manter o mandato ativo para votar a PEC 6x1, apresentando a decisão como responsabilidade individual e escolha pessoal legítima. Uma leitura mais à esquerda, por contraste, enfatizaria que o anúncio só veio depois da pressão popular e da cobrança de parlamentares, e sublinharia que Romário trabalhou apenas dois meses no calendário legislativo de 2026, o que mantém em aberto a questão de fundo sobre presença e dedicação ao mandato, para além da renúncia ao salário.
O que ainda não se sabe: a data da votação da PEC do fim da escala 6x1 não foi marcada, segundo o próprio senador, de modo que não há garantia de quando sua participação remota será efetivamente necessária. Também não está detalhado o valor total que Romário deixará de receber ou devolverá, nem como será operacionalizada a devolução retroativa dos pagamentos já processados.