Duas pesquisas divulgadas em 23 de junho de 2026 colocaram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sob escrutínio dentro e fora do país. O levantamento Reuters/Ipsos apontou aprovação de 34%, o menor índice do segundo mandato, enquanto o Pew Research Center registrou queda na confiança dos brasileiros nos Estados Unidos para o menor nível de sua série histórica. Em conjunto, os números desenham um cenário de desgaste da imagem americana num momento marcado pela guerra com o Irã e por avaliações negativas sobre a economia.
A cobertura de centro relatou os dados com precisão. Segundo a Reuters/Ipsos, a aprovação de Trump caiu de 36% para 34% em uma semana, variação que está dentro da margem de erro de três pontos percentuais. Apenas 24% dos americanos consideram que a guerra com o Irã valeu os custos, e somente 22% aprovam a condução do presidente em assuntos relacionados ao custo de vida, um dos piores índices de sua Presidência. Trump assinou em 17 de junho um acordo preliminar com o regime iraniano para encerrar o conflito no Oriente Médio, com previsão de reabertura do estreito de Hormuz, fundamental para o comércio mundial de petróleo. Ainda assim, 63% dos americanos duvidam que o entendimento garanta paz permanente.
O segundo levantamento, do Pew Research Center, ouviu 42.151 pessoas em 36 países entre fevereiro e maio de 2026. No Brasil, a avaliação positiva dos Estados Unidos caiu de 64% para 47% em relação a 2024, e apenas 30% dos brasileiros dizem confiar em Trump para lidar com assuntos internacionais. A maioria, 76% dos entrevistados, enxerga os Estados Unidos como uma potência que interfere nos assuntos internos de outros países, percentual que sobe para 82% entre os jovens de 18 a 29 anos. Globalmente, só 37% têm visão favorável do país.
Veículos de esquerda enfatizaram o custo humano e social das políticas de Trump. Para essa leitura, a rejeição à guerra com o Irã e a desaprovação da condução do custo de vida revelam o peso da agenda belicista e de mercado sobre trabalhadores e famílias, enquanto a percepção de interferência, sobretudo entre os jovens, sinalizaria um esgotamento do intervencionismo americano e a abertura de espaço para um mundo multipolar.
Veículos de direita enfatizaram a necessidade de cautela na leitura dos números. Para esse enquadramento, a queda de dois pontos está dentro da margem de erro e, portanto, é estatisticamente estável; o acordo com o Irã reabriu o estreito de Hormuz e ajudou a reduzir o preço internacional do petróleo; e cerca de metade dos republicanos ainda avalia positivamente a ação militar. A deterioração da imagem dos EUA no Brasil, nessa visão, acompanha um período de atritos comerciais e de uma investigação sobre tarifas que envolve disputas legítimas de competitividade.
O que ainda não se sabe é se o desgaste de aprovação se consolidará ou se trata de oscilação de momento, já que a variação está dentro da margem de erro. Também não há, nas pesquisas, resposta oficial do governo americano nem dos governos latino-americanos citados. A pesquisa Pew, além disso, antecede episódios mais recentes de tensão bilateral, como a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA e a investigação comercial que pode resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros, cujo efeito sobre a opinião pública ainda não foi medido.