André Mendonça resiste a tirar do STF os inquéritos sobre Fábio Luís Lula
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A Procuradoria-Geral da República pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que dois inquéritos sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sejam enviados à Justiça Federal de primeira instância. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, não há entre os investigados autoridade com foro por prerrogativa de função nem conexão com a apuração das fraudes em descontos de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social. Interlocutores da Corte afirmam que Mendonça deve rejeitar o pedido, sob o argumento de que mensagens apreendidas pela Polícia Federal ainda podem alcançar pessoas com foro. Um terceiro inquérito, relatado por Flávio Dino, tende a seguir o mesmo caminho. Não há prazo para a decisão, e um eventual recurso seria julgado pela Segunda Turma.
Para o enquadramento de esquerda, o episódio expõe menos um caso de corrupção e mais uma disputa de competência conduzida a céu aberto contra a família do presidente em ano eleitoral. A defesa de Fábio Luís Lula da Silva sustenta que não há ato de ofício, autoridade com foro nem desvio de dinheiro público nos autos e que, se ele não fosse filho do presidente, os inquéritos já teriam sido arquivados.
No enquadramento de direita, o centro da história são as descobertas da Polícia Federal sobre o que o filho do presidente fazia com o sobrenome que carrega. Mensagens recuperadas no celular da lobista Roberta Luchsinger apontam uma sociedade informal com Fábio Luís Lula da Silva e o empresário Fernando Bittar para prospectar negócios dentro do governo, com pressão sobre o Ministério da Saúde para comprar medicamentos à base de canabidiol e um termo de referência com dispensa de licitação enviado ao então chefe de gabinete do presidente.
11 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Todos os lados registram que há três inquéritos sigilosos sobre Fábio Luís Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal, que a Procuradoria-Geral da República pediu a remessa de ao menos dois deles à primeira instância, que André Mendonça sinalizou que vai negar o pedido e que a própria Procuradoria havia defendido, em julho, a distribuição dos casos por sorteio dentro da Corte.
A Procuradoria-Geral da República quer que dois inquéritos sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deixem o Supremo Tribunal Federal e desçam à Justiça Federal de primeira instância. O relator, ministro André Mendonça, sinalizou a interlocutores que vai negar o pedido, e a disputa de competência pode acabar na Segunda Turma do tribunal.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, deve rejeitar o pedido da Procuradoria-Geral da República para enviar à Justiça Federal de primeira instância dois inquéritos que investigam o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A manifestação do procurador-geral Paulo Gonet foi apresentada na quarta-feira, 19 de agosto, e corre sob sigilo. Nela, o órgão sustenta que não há entre os investigados autoridade com foro por prerrogativa de função, nem conexão entre esses fatos e a Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. Sem esses dois elementos, argumenta a Procuradoria, o Supremo não seria o tribunal competente para conduzir as apurações.
Interlocutores do relator dizem que ele avalia o contrário. A leitura no gabinete é de que as conversas interceptadas pela Polícia Federal ainda podem alcançar pessoas com prerrogativa de foro, o que tornaria precipitado descartar agora a competência da Corte. Um terceiro inquérito sobre o mesmo núcleo está sob relatoria do ministro Flávio Dino, e pessoas próximas a ele indicam que a tendência é adotar o mesmo entendimento, em nome da uniformidade de tratamento entre casos semelhantes. Não há prazo para a decisão. Se o pedido for negado por decisão individual, cabe agravo, e a controvérsia seria levada à Segunda Turma, formada por Mendonça, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques.
Toda a cobertura converge em alguns pontos. As três apurações estão sob sigilo. Uma delas trata de suposta atuação de Fábio Luís para facilitar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, em favor de empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso preventivamente e apontado como um dos operadores das fraudes previdenciárias. Outra apura suposto favorecimento em contratos com a Dataprev, estatal de processamento de dados da Previdência. A terceira, com Dino, tem como alvos principais a empresária Roberta Luchsinger e o ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro. Nenhum contrato chegou a ser fechado. Há consenso também sobre a origem do atrito: em julho, quando a Polícia Federal pediu a abertura dos inquéritos, a própria Procuradoria endossou a distribuição por sorteio no Supremo, e a mudança de posição um mês depois causou perplexidade na Corte. Um auxiliar do procurador-geral rebate que não há contradição, porque distribuição de relatoria e competência do tribunal são questões processuais distintas.
A partir daí, os enquadramentos se separam. Veículos de direita concentraram a cobertura nas descobertas da Polícia Federal, com transcrições de mensagens recuperadas no celular da lobista que apontariam uma sociedade informal entre ela, o filho do presidente e o empresário Fernando Bittar para prospectar negócios no governo, incluindo um rascunho de termo de referência com dispensa de licitação enviado ao então chefe de gabinete do Palácio do Planalto e o pagamento de R$ 1,5 milhão em cinco parcelas à empresária. Nessa leitura, o pedido para tirar os casos do Supremo enfraquece a investigação e afasta o relator mais rigoroso. Veículos de esquerda destacaram o lado processual e o custo do vazamento: a defesa afirma que não há ato de ofício, autoridade com foro nem desvio de dinheiro público nos autos, sustenta que os inquéritos deveriam ser arquivados e denuncia a instrumentalização do sistema de justiça em ano eleitoral, enquanto a empresária afirma que criminalizar relações de amizade afronta princípios do Estado Democrático de Direito. A cobertura de centro relatou a disputa como embate institucional, explicando a distinção entre distribuição e competência, o precedente do caso Banco Master, o poder do relator de definir quando o eventual recurso irá ao colegiado e o desdobramento no Senado, onde o senador Carlos Viana anunciou articulação para reunir as 27 assinaturas necessárias a uma comissão parlamentar de inquérito.
O que ainda não se sabe é decisivo. O conteúdo integral do parecer da Procuradoria não é público, e o teor das citações a autoridades com foro nas mensagens permanece sob sigilo, sem que se saiba se são incidentais ou ligadas aos fatos apurados. Também não há informação sobre se a Procuradoria pediu a remessa do inquérito relatado por Dino, nem prazo para que Mendonça decida.
Avaliação é que ainda há possibilidade de surgirem elementos envolvendo autoridades com foro

Procuradoria defende que inquérito sobre suposto tráfico de influência seja enviado à primeira instância da Justiça Federal

Mendonça deve rejeitar pedido da PGR para enviar à 1ª instância inquéritos contra o filho de Lula e manter casos no STF.

Ministro desconfia de tratamento desigual após novo inquérito ficar com Flávio Dino e clima com PF é descrito como conflagrado

PGR defende que apurações sobre suspeita de tráfico de influência sejam enviadas para primeira instância

PGR solicitou que inquéritos relatados por André Mendonça sejam enviados para a primeira instância; na visão de advogado criminalista e professor de Direito, pedido 'chama atenção' e é 'atípico'.


VEJA teve acesso à íntegra dos inquéritos que investigam o filho mais velho do presidente Lula, suspeito de tráfico de influência

PGR solicitou que inquéritos relatados por André Mendonça sejam enviados para a primeira instância; na visão de advogado criminalista e professor de Direito, pedido 'chama atenção' e é 'atípico'.

Pedido da PGR para que inquérito desça à primeira instância tende a ser negado pelo relator

Procuradoria pede que inquéritos contra filho do presidente sejam enviados à primeira instância, porque não há envolvidos com foro privilegiado, e afirma não ver crime em uma das apurações. Relator no STF de duas das investigações, Mendonça deve negar a solicitação
