Fernando Haddad defende apuração sobre Lulinha ao criticar Flávio Bolsonaro
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Em sabatina realizada em 19 de agosto de 2026, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência representa um "grave risco institucional" e disse não conceber a hipótese de ele assumir o cargo. Na mesma entrevista, Haddad defendeu que a Polícia Federal e o Ministério Público investiguem sem interferência as suspeitas que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Haddad reconheceu que o governador Tarcísio de Freitas é favorito na disputa estadual e comparou o confronto a uma "luta de Davi contra Golias". No dia seguinte, a defesa de Lulinha entrou na Justiça de São Paulo contra Flávio Bolsonaro por um vídeo produzido com inteligência artificial.
Veículos de esquerda leram a sabatina como um alerta democrático: ao chamar a candidatura de Flávio Bolsonaro de "grave risco institucional", Fernando Haddad estaria expondo ao eleitorado o perfil de um projeto de poder que ameaça direitos sociais e a estabilidade das instituições.
Veículos de direita destacaram menos a acusação contra Flávio Bolsonaro e mais o que Fernando Haddad admitiu na mesma sabatina: que Tarcísio de Freitas é favorito à reeleição em São Paulo e que a disputa é uma "luta de Davi contra Golias".
8 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Todos os lados registram as mesmas falas: Fernando Haddad chamou a candidatura de Flávio Bolsonaro de grave risco institucional, defendeu que a Polícia Federal e o Ministério Público investiguem sem interferência as suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, e reconheceu enfrentar em São Paulo uma coligação ampla em torno de Tarcísio de Freitas, descrita por ele como uma luta de Davi contra Golias.
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, usou a sabatina de 19 de agosto de 2026 para dizer que a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência é um grave risco institucional e para defender que a Polícia Federal e o Ministério Público investiguem sem interferência as suspeitas que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou em 19 de agosto de 2026 que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República representa um "grave risco institucional" para o Brasil. A declaração foi dada em sabatina promovida por dois jornais e uma rádio, primeira de uma série com os candidatos ao governo paulista. "Eu não sei se todo mundo conhece o Flávio Bolsonaro como eu conheço o Flávio Bolsonaro, mas esse rapaz é um risco para o país", disse o ex-ministro da Fazenda, acrescentando que o adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria um problema "do ponto de vista econômico, social e internacional".
Na mesma entrevista, Haddad defendeu que as suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete conhecido como Marcola, sejam apuradas até o fim. "Sou a favor de passar a régua em quem quer que seja", afirmou, dizendo que a Polícia Federal e o Ministério Público devem ter "100% de liberdade sempre". A apuração nasceu no contexto das fraudes contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, e investiga se a lobista Roberta Luchsinger usou a proximidade com Lulinha para abrir portas em órgãos do governo federal. Os citados negam irregularidades.
A cobertura de centro convergiu nesses dois eixos e acrescentou o contexto processual: a defesa dos investigados foi procurada e preferiu não comentar dados sob sigilo, e a apuração aponta que a lobista recebeu R$ 1,5 milhão do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, preso sob suspeita de desviar recursos de aposentadorias. Também houve convergência sobre a leitura que Haddad faz da disputa estadual: ele comparou o confronto com o governador Tarcísio de Freitas, que tenta a reeleição, a uma "luta de Davi contra Golias" e disse enfrentar um bloco formado por "todo Centrão e pelo bolsonarismo".
As divergências apareceram na escolha do que colocar em primeiro plano. Veículos de esquerda enfatizaram o alerta institucional, apresentando a fala como denúncia de um projeto de extrema direita cujo perfil ainda não teria sido exposto ao eleitorado, e trataram a candidatura paulista como reforço, e não como risco, ao projeto nacional. Veículos de direita destacaram outro trecho da mesma sabatina: a admissão de que o governador é favorito à reeleição, emparelhada com o levantamento do Paraná Pesquisas divulgado no mesmo dia, que indicou 50% para Tarcísio contra 33,8% para Haddad no cenário estimulado, e 53% a 36,9% em eventual segundo turno. Nesse enquadramento, ganharam peso a proposta de rever contratos e a privatização da Sabesp, e o histórico fiscal do período em que o candidato comandou a Fazenda, quando a relação entre dívida bruta e PIB subiu de 73,5% para 81,9%, segundo o Banco Central. Haddad contestou a leitura, disse ter feito "o terceiro maior ajuste nas contas do mundo" e afirmou que o primeiro ano do mandato foi consumido pelo pagamento de dívidas herdadas.
Um dia depois, em 20 de agosto, o desdobramento judicial mudou o eixo do episódio. A defesa de Lulinha entrou na Justiça de São Paulo contra Flávio Bolsonaro por um vídeo publicado nas redes sociais da campanha, produzido com inteligência artificial, em que o filho do presidente aparece como alvo de uma missão militar. O pedido inclui a retirada do conteúdo em 24 horas e indenização de R$ 10 mil, sob o argumento de que não existe contra ele indiciamento ou denúncia por participação nas fraudes contra beneficiários do INSS. Pedido semelhante contra outro candidato à Presidência foi negado. A Justiça ainda não decidiu sobre o processo contra o senador.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há decisão judicial sobre a liminar pedida pela defesa, nem conclusão das três investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal, onde a Procuradoria-Geral da República pediu o envio do caso à primeira instância. Também não há resposta pública da campanha de Flávio Bolsonaro às acusações feitas na sabatina, e nenhuma das reportagens do conjunto detalha em que fase está a apuração sobre o ex-chefe de gabinete. No plano eleitoral, resta saber se a disputa paulista se resolve em primeiro turno, cenário que os próprios envolvidos consideram possível diante do número reduzido de candidatos competitivos.
Fernando Haddad descartou interpretar a disputa com Tarcísio como uma prévia da eleição presidencial de 2030.

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