André Mendonça manda PF apurar vazamentos enquanto Gonet quer caso fora do STF
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A leitura à esquerda enxerga menos um caso de investigação e mais uma queda de braço institucional dentro do Supremo Tribunal Federal. O ponto central é que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustenta não haver autoridade com foro privilegiado entre os investigados e pede o envio do inquérito à primeira instância, enquanto o relator André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, tende a manter o caso sob sua condução. Nesse enquadramento, a insistência em preservar a competência do Supremo sobre um inquérito que atinge o filho do presidente da República, somada aos vazamentos seletivos de conversas privadas para a imprensa, indica exposição pública sem contraditório e uso político do aparato de investigação.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou em 20 de agosto de 2026 que a Polícia Federal apure vazamentos de informações sigilosas dos inquéritos que investigam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pelo prisma da direita, o que está em jogo é a apuração de suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente da República e o risco de o processo ser esvaziado. Fábio Luís Lula da Silva é alvo de três inquéritos, e o relatório da Polícia Federal aponta uma sociedade com a empresária Roberta Luchsinger e com Fernando Bittar voltada à intermediação de negócios, com trocas de mensagens sobre projetos ligados ao governo federal e expectativa de R$ 100 milhões em receita em 2024.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
As três coberturas registram os mesmos fatos centrais: André Mendonça é o relator, mandou a Polícia Federal apurar vazamentos de material sigiloso, Fábio Luís Lula da Silva é alvo de três inquéritos por suspeita de tráfico de influência e há divergência entre o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República sobre qual instância deve conduzir o caso.
A decisão de André Mendonça sobre os vazamentos abriu mais um capítulo do atrito com o procurador-geral Paulo Gonet, que quer o inquérito de Fábio Luís Lula da Silva fora do Supremo Tribunal Federal. As coberturas de esquerda, centro e direita colocaram em primeiro plano coisas distintas, do conteúdo das mensagens à disputa por competência.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou em 20 de agosto de 2026 que a Polícia Federal investigue os vazamentos à imprensa de informações sigilosas dos inquéritos que apuram a conduta de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão atendeu a pedido da defesa e mira a chamada quebra do dever de custódia: quem teve acesso legal ao material e o repassou a terceiros.
No despacho, o ministro listou reportagens que divulgaram conversas obtidas em aplicativos de mensagens, trechos de documentos policiais e dados de apurações que correm sob segredo de Justiça. Ele registrou que uma quebra de sigilo autorizada pela Justiça não transforma o conteúdo obtido em informação pública, e que investigadores e peritos seguem obrigados a preservar a confidencialidade. A decisão também estabelece de forma expressa que jornalistas e responsáveis pela publicação das reportagens não podem ser alvo da apuração, por causa da proteção constitucional ao sigilo da fonte.
A cobertura de centro relatou o núcleo factual da ordem judicial de maneira direta, sem qualificar as partes: o relator mandou a Polícia Federal apurar a origem dos vazamentos nos inquéritos do filho do presidente. Veículos de direita enfatizaram o conteúdo que veio a público no mesmo dia, quando uma revista semanal divulgou imagens de supostas mensagens entre Fábio Luís Lula da Silva e a empresária Roberta Luchsinger. Segundo esse relato, ela mantinha com ele e com Fernando Bittar uma sociedade voltada à intermediação de negócios, e o trio usava um grupo de mensagens para tratar de projetos ligados ao governo federal. Uma das linhas do inquérito é a suspeita de atuação em favor da empresa de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que trabalha com produtos à base de cannabis, para facilitar contratos junto ao Ministério da Saúde. Em uma das conversas citadas, a empresária teria mencionado expectativa de receber R$ 100 milhões apenas em 2024.
Já veículos de esquerda destacaram outro eixo: a disputa sobre quem deve julgar o caso. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defende que o inquérito desça para a primeira instância, porque, no entendimento da Procuradoria-Geral da República, não há entre os investigados autoridade com prerrogativa de foro no Supremo. Pessoas próximas ao relator avaliam que o caso pode permanecer na Corte por causa da possível conexão com a apuração dos descontos indevidos em aposentadorias do INSS, que alcançou um parlamentar, e porque mensagens encontradas citam o presidente da República. A tendência apontada é de recusa ao pedido da Procuradoria, sem prazo curto para decidir.
Os três lados convergem no essencial: houve decisão do relator, há inquéritos abertos contra o filho do presidente e existe divergência entre o Supremo e a Procuradoria sobre a competência. A diferença está no que cada cobertura coloca em primeiro plano. À direita, o mérito das suspeitas de tráfico de influência e o risco de o processo perder tração. À esquerda, o desenho institucional, com ênfase em que André Mendonça foi indicado por Jair Bolsonaro e Paulo Gonet foi reconduzido por Luiz Inácio Lula da Silva com apoio de ministros que costumam divergir do relator. Ao centro, o registro da decisão sem atribuição de intenção.
Se o relator mantiver o inquérito no Supremo, a Procuradoria pode recorrer à Segunda Turma, que além dele reúne Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. O atrito entre os dois já apareceu antes, nos desdobramentos do caso do INSS e no processo ligado ao Banco Master.
Ainda não se sabe quando a decisão sobre a competência será tomada, nem quantos agentes públicos serão alcançados pela apuração dos vazamentos. Também não há informação pública sobre denúncia formal contra Fábio Luís Lula da Silva, sobre a resposta da defesa ao conteúdo das mensagens divulgadas ou sobre o teor exato do relatório policial citado. Nenhuma das coberturas traz manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre a ordem de investigar os vazamentos.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou à Polícia Federal que investigue os vazamentos à imprensa de informações sigilosas dos inquéritos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (20) que a Polícia Federal investigue possíveis vazamentos

PGR quer enviar a investigação de Lulinha à primeira instância, mas Mendonça tende a manter o caso no STF e pode levar a disputa à Segunda Turma.
