Datafolha registra duas pesquisas de Lula e Flávio antes do primeiro turno
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
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Veículos com viés à direita
Briefing
O que importa para você
- As duas pesquisas saem em 1º e 3 de outubro, com 2.506 e 4.006 entrevistas e margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
- O questionário mede reajuste do Bolsa Família, apostas online e oferta de canetas emagrecedoras pela rede pública, temas que afetam renda e acesso à saúde.
- Para quem investe, o acirramento já mexeu no bolso: Ibovespa em alta de 6,4% em setembro e entrada de 9,6 bilhões de reais de estrangeiros na Bolsa.
Onde os lados concordam
As duas frentes de cobertura convergem em que a corrida presidencial ficou mais apertada: Lula saiu de 39% para 40% e Flávio Bolsonaro, de 33% para 36% entre 21 de agosto e 24 de setembro, com a diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Também há acordo de que as duas novas rodadas do Datafolha, de 1º e 3 de outubro, são a última medição antes do voto.
O que ainda está incerto
- Os resultados das duas rodadas só serão conhecidos nos dias 1º e 3 de outubro.
- Nenhum dos candidatos detalhou como fecharia a conta do ajuste fiscal que bancos e analistas cobram.
- Não há informação sobre recortes regionais das novas pesquisas nem sobre rodada adicional entre o primeiro e o segundo turno.
Duas novas pesquisas do Datafolha sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral para 1º e 3 de outubro, às vésperas do primeiro turno. Elas medem intenção de voto, rejeição e cinco cenários de segundo turno, num momento em que a diferença entre os dois já está dentro da margem de erro e o mercado financeiro reage ao equilíbrio.
O Datafolha registrou no Tribunal Superior Eleitoral duas novas pesquisas nacionais de intenção de voto para a Presidência, com divulgação prevista para quinta-feira, 1º de outubro, e sábado, 3 de outubro, às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026. O primeiro levantamento ouvirá 2.506 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro, sob o registro BR-08039/2026. O segundo prevê 4.006 entrevistas realizadas no dia 3 de outubro, sob o registro BR-01708/2026. As duas rodadas são presenciais, feitas em pontos de fluxo populacional, com abrangência nacional, margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
Os dois questionários eleitorais são iguais. O instituto vai medir a intenção de voto espontânea e a estimulada, o grau de decisão do eleitor, a possibilidade de mudança de voto e a rejeição aos candidatos. A lista apresentada aos entrevistados inclui Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury, entre outros postulantes. Serão testados cinco cenários de segundo turno, todos com Lula de um lado. Os levantamentos ainda perguntam sobre a avaliação do governo, o interesse do eleitor pela política, a disposição de comparecer às urnas, a identificação entre bolsonarismo e petismo, o significado da democracia, a influência de família, amigos, redes sociais, imprensa e líderes religiosos no voto, além de apostas online, oferta de canetas emagrecedoras pela rede pública de saúde e reajuste do Bolsa Família.
Veículos de direita enfatizaram exatamente essa mecânica: números de registro, tamanho da amostra, contratantes e custo de cada rodada, de 384.552 reais e de 461.462,40 reais, além da amplitude temática do questionário. A leitura é de que as duas pesquisas funcionam como última fotografia antes do voto, num pleito que se estreitou.
A cobertura de centro relatou o outro lado do mesmo movimento, o efeito da disputa apertada sobre o mercado. Na rodada de 21 de agosto do mesmo instituto, Lula aparecia com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Em 24 de setembro, o presidente tinha 40% e o senador, 36%, diferença dentro da margem de erro. No mesmo intervalo, o Ibovespa saiu de queda de 0,32% em agosto para alta de 6,4% em setembro, enquanto o dólar passou de alta de 2,21% para recuo de 0,25%. O saldo de investidores estrangeiros na Bolsa inverteu de saída de 18,1 bilhões de reais em agosto para entrada de 9,6 bilhões de reais até 22 de setembro, com saldo positivo de 32,6 bilhões no ano. Casas de análise recomendam títulos públicos e certificados de depósito bancário na renda fixa e ações de serviços públicos e de commodities na renda variável para quem quer reduzir a exposição ao ruído eleitoral. Relatórios de bancos registram que investidores locais estão se posicionando para uma eleição acirrada e dando mais crédito à oposição, e desenham carteiras distintas para cada desfecho, embora um deles avalie que os dois governos enfrentariam o mesmo desafio de restaurar a confiança na trajetória fiscal.
Veículos de esquerda não aparecem entre as fontes desta reportagem, e por isso nenhum enquadramento de esquerda é atribuído aqui. O ângulo que faltou no conjunto analisado é justamente o do custo social do ajuste fiscal que o mercado precifica, ponto que só aparece de forma indireta, quando economistas ouvidos avaliam que um ajuste duradouro teria de atingir aposentadorias e benefícios sociais.
O que ainda não se sabe é o principal. Os resultados das duas rodadas só serão conhecidos nos dias 1º e 3 de outubro, e nenhuma fonte antecipa números. Também segue indefinida a política econômica concreta dos candidatos: Flávio Bolsonaro defende ajuste fiscal sem mexer na Previdência nem na política de valorização do salário mínimo, e o governo propõe reduzir o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios e aprimorar o arcabouço fiscal, sem que nenhum dos dois lados detalhe como fecha a conta. Não há, no material disponível, recortes regionais das novas pesquisas nem informação sobre eventual rodada adicional entre o primeiro e o segundo turno.
Fontes

Títulos públicos, CDBs e ações de serviços públicos e commodities aparecem entre as indicações

Questionários abordam democracia, apostas online e reajuste do Bolsa Família