Duas pesquisas de opinião divulgadas em julho de 2026 mostram o eleitorado brasileiro dividido sobre quem está mais ligado ao escândalo do Banco Master: aliados do presidente Lula (PT) ou do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg, divulgado em 2 de julho, 37,6% dos entrevistados apontaram os aliados de Lula como o grupo mais envolvido, contra 36% que citaram os aliados de Bolsonaro, um empate técnico dentro da margem de erro de um ponto percentual. Uma semana depois, a pesquisa Meio/Ideia trouxe números parecidos, com 39% apontando Lula como mais envolvido e 37,4% citando Flávio Bolsonaro.
O pano de fundo é a investigação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. A PF suspeita que familiares e sócios de Wagner tenham recebido vantagens econômicas indevidas por meio de estruturas ligadas ao banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Wagner nega irregularidades e afirma que sua prioridade é provar inocência e seguir apoiando a reeleição de Lula. Do outro lado, um áudio vazado revelou que o próprio Flávio Bolsonaro negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro um repasse de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A cobertura de centro apresentou os números das duas pesquisas com metodologia completa, amostras de milhares de entrevistados e registro no TSE, sem atribuir juízo de valor a nenhum dos lados. Já a cobertura de direita destacou que o grupo de Lula aparece tecnicamente à frente na percepção do público, reforçando a leitura de que o escândalo atinge diretamente aliados do governo, e reproduziu uma fala do presidente sobre lealdade a companheiros como sinal de proteção a investigados. Em contraste, a cobertura de esquerda enfatizou que o vínculo de Flávio Bolsonaro com o Banco Master é mais direto e documentado, por meio do áudio vazado, e destacou a nota do governo brasileiro acusando o senador de hipocrisia ao citar o caso Master em audiência do governo americano sobre o tarifaço contra o Brasil, sem mencionar seus próprios negócios com Vorcaro.
Ainda não está claro se as investigações resultarão em denúncias formais contra Wagner ou contra Flávio Bolsonaro, nem qual o teor completo do áudio vazado além do valor citado. Também permanece incerto como a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos em torno do tarifaço vai evoluir e que efeito eleitoral concreto o caso Master terá sobre as candidaturas de Lula e de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026.