A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 1º de julho de 2026 desenhou o tabuleiro da corrida presidencial e confirmou dois movimentos simultâneos: a liderança consistente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a consolidação de Flávio Bolsonaro (PL) como o principal nome da direita na ausência do pai, Jair Bolsonaro, preso e inelegível. O levantamento ouviu 4.999 eleitores entre 26 e 30 de junho, tem margem de erro de um ponto percentual e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04582/2026.
No cenário de primeiro turno, Lula aparece com 46,3% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 36,6%. Os demais pré-candidatos ficam bem atrás: Renan Santos, do Missão, tem 7,8%; Ronaldo Caiado, 2,9%; e Romeu Zema, 2%. Em todos os seis cenários de segundo turno testados pelo instituto, o presidente aparece à frente. Contra Flávio, Lula tem 48,8% a 42,3% — a menor diferença entre todas as simulações, de 6,5 pontos. O petista também vence Jair Bolsonaro (48,6% a 43,1%), Michelle Bolsonaro (48,7% a 38,9%), Ronaldo Caiado (48% a 39%), Romeu Zema (48,2% a 38,5%) e Renan Santos (49,2% a 28,9%).
A cobertura de centro, predominante neste conjunto de veículos, relatou esses números de forma equilibrada, apresentando a matriz completa de cenários, a série histórica mês a mês e o ranking de rejeição, em que Aécio Neves (54%) e Flávio Bolsonaro (53%) aparecem como os políticos menos queridos, com Lula logo atrás, em 48,5%. Esses veículos também registraram que a AtlasIntel teve a legitimidade de sua pesquisa questionada judicialmente pelo próprio Flávio, e que a análise do caso está suspensa no TSE.
Veículos de direita enfatizaram o recorte mais favorável ao campo conservador: entre os eleitores que se identificam com a direita, Flávio é apontado como o nome mais forte para suceder Bolsonaro, com 43,2%, muito à frente do deputado Nikolas Ferreira (18,4%) e do governador Tarcísio de Freitas (8,6%). Nessa leitura, Flávio é o único adversário que chega perto de Lula, sinal de que o bolsonarismo mantém tração competitiva mesmo com o ex-presidente fora do jogo, e o questionamento à metodologia do instituto alimenta a desconfiança conservadora quanto a um suposto favorecimento ao governo.
Veículos de esquerda, por sua vez, tenderiam a destacar que a vantagem de Lula se repete em todos os cenários e que a maior rejeição do eleitorado recai sobre figuras da direita, além de apontar a fragmentação interna do bolsonarismo, exposta pela crise pública entre Michelle e Flávio Bolsonaro, e ler a ação judicial contra a pesquisa como reação a números desfavoráveis.
O que ainda não se sabe é como a disputa vai se comportar quando as candidaturas estiverem formalmente definidas, qual será o desfecho do questionamento da pesquisa no TSE e se o estreitamento da diferença entre Lula e Flávio nos últimos meses se sustentará até outubro. A própria AtlasIntel ressalva que sua série histórica não considera o mês de maio de 2026, o que pede cautela na leitura da tendência.