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A rodada de julho da pesquisa AtlasIntel, divulgada em 29 de julho, manteve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro em todos os cenários testados e registrou, pelo segundo mês seguido, rejeição de 53% ao pré-candidato do PL. Na mesma semana, o ministro Alexandre de Moraes deu 15 dias para a Procuradoria-Geral da República se manifestar sobre a ausência do senador a um depoimento marcado pela Polícia Federal em inquérito que apura suposta calúnia contra o presidente.
A rodada de julho da pesquisa AtlasIntel, divulgada na quarta-feira, 29, manteve praticamente inalterado o quadro da corrida presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 44,9% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35,8% do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, o petista tem 49,2% e o senador, 42,9%, ante 48,8% a 42,3% na rodada de junho. O levantamento ouviu 5.021 eleitores entre os dias 22 e 27 de julho, tem margem de erro de um ponto percentual e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08602/2026.
O dado tratado como central em toda a cobertura é a rejeição. Pelo segundo mês seguido, 53% dos eleitores dizem que não votariam em Flávio Bolsonaro. Lula registra 49,4% de rejeição, patamar semelhante ao do mês anterior. Quando a pergunta muda para qual resultado eleitoral mais preocupa, 46,6% apontam a eleição do senador, ante 48,4% em junho, enquanto o receio de um quarto mandato do presidente subiu de 42,4% para 44,6%.
A cobertura de centro relatou os números sem enquadramento adicional. Além dos dois primeiros colocados, o levantamento traz Renan Santos com 7,8%, Ronaldo Caiado com 3,1% e Romeu Zema com 2,8%, e mostra Lula vencendo todos os cenários de segundo turno testados, inclusive contra os dois governadores. Essa mesma cobertura registrou um movimento contraditório entre voto e avaliação: a avaliação positiva do governo caiu de 40% para 37,9%, a negativa subiu de 48% para 49,3%, e, ao mesmo tempo, a aprovação pessoal do presidente oscilou de 46% para 47,6%.
A cobertura de direita enfatizou o outro flanco da mesma semana. No dia 28, Flávio Bolsonaro não compareceu ao depoimento presencial marcado pela Polícia Federal no inquérito que apura suposta calúnia contra Lula, e enviou esclarecimentos por escrito. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, escreveu que o senador demonstrou a intenção de não comparecer, lembrou que ele teve a oportunidade de indicar data e horário e que teria recusado inclusive a videoconferência, e deu prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste. Nessa cobertura, ganhou espaço próprio o argumento da defesa: a publicação feita na rede social X em janeiro seriam duas frases independentes, um prognóstico sobre uma futura delação e uma referência às acusações enfrentadas por Nicolás Maduro na justiça norte-americana. Para os advogados, o inquérito configura instrumentalização da justiça penal, e os esclarecimentos escritos supririam o depoimento como exercício do direito à autodefesa.
Não há, até o fechamento desta reportagem, cobertura de veículos de esquerda sobre esta rodada da pesquisa nem sobre o despacho. A leitura que costuma partir desse campo se apoiaria nos mesmos números, com ênfase na rejeição de 53% como teto do pré-candidato da oposição e na ausência ao depoimento como resistência a prestar contas, mas ela não aparece registrada no material disponível e, por isso, não é atribuída aqui a nenhum veículo.
O ponto em que a cobertura disponível converge é o efeito eleitoral da disputa comercial. A queda de braço entre as pré-campanhas em torno das novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos em julho não moveu o placar entre uma rodada e outra. O instituto incluiu no questionário perguntas sobre como o eleitorado avalia a condução das negociações pelos governos brasileiro e americano e sobre a percepção de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
O que ainda não se sabe começa justamente por aí. O bloco de respostas sobre as tarifas não foi divulgado junto com o restante da pesquisa, e a expectativa registrada é de publicação ao longo da semana. Também não há informação sobre o que a Procuradoria-Geral da República fará ao fim do prazo de 15 dias, nem se um novo depoimento presencial será marcado. A cobertura disponível tampouco traz recortes do levantamento por região, renda ou escolaridade, que permitiriam entender onde exatamente a rejeição de cada lado se concentra.
Esta é a primeira medição do eleitorado depois das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos em julho, e ela mostra o quadro travado: rejeição de 53% a Flávio Bolsonaro, 49,4% a Lula e avaliação positiva do governo em 37,9%, o pior patamar desde março de 2025. No campo judicial, a PGR tem 15 dias contados de 28 de julho para dizer ao STF o que fará diante da ausência do senador ao depoimento, prazo que vence em meados de agosto e pode terminar em nova intimação ou em denúncia contra um pré-candidato à Presidência.
Toda a cobertura disponível registra os mesmos números e a mesma conclusão principal: Lula lidera o primeiro turno com 44,9% contra 35,8% de Flávio Bolsonaro, vence todos os cenários de segundo turno testados e enfrenta rejeição de 49,4%, contra os 53% do senador. Há convergência também em que a queda de braço em torno das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos não alterou o placar eleitoral entre junho e julho, e em que a avaliação do governo piorou no mesmo período em que a aprovação pessoal do presidente subiu.
O bloco de perguntas sobre a percepção das tarifas americanas e sobre eventual interferência estrangeira na eleição foi anunciado, mas não saiu junto com o restante da pesquisa. Não se sabe o que a PGR pedirá ao fim do prazo de 15 dias, nem se um novo depoimento presencial será marcado. A cobertura disponível também não traz recortes por região, renda ou escolaridade do levantamento.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
O texto reporta percentuais sem vocabulário valorativo e dá paridade aos dois polos: registra os 53% de rejeição a Flávio Bolsonaro e, no mesmo bloco, os 49,4% de rejeição a Lula, além de mostrar as duas séries de 'qual resultado mais preocupa' com alta e queda. Frases como 'há um sutil recuo na percepção negativa' são descritivas, não editorializantes. O publisher é de direita, mas o artigo não adota o enquadramento do campo: CENTER pelo conteúdo. O único deslize é o título vago sobre 'crises', não sustentado no corpo.
Perspectivas omitidas
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Reportagem de dados: lista todos os cenários testados, inclusive os desfavoráveis ao pré-candidato da oposição, e registra o movimento contraditório entre queda da avaliação do governo (de 40% para 37,9%) e alta da aprovação pessoal do presidente (de 46% para 47,6%) sem tentar harmonizar os dois em uma tese. Não usa vocabulário de campo nem adjetiva os candidatos. Publisher de direita, artigo factual: CENTER.
Perspectivas omitidas
A primeira metade é factual e cita literalmente o despacho do ministro. O desvio de enquadramento aparece na arquitetura do texto: um bloco final inteiro, com subtítulo próprio, é dedicado aos argumentos da defesa, incluindo a acusação de 'instrumentalização da justiça penal', sem qualquer contraponto institucional; e o adjetivo 'ex-ditador venezuelano' introduz vocabulário valorativo típico do campo. O resultado é uma cobertura que trata o investigado como parte pressionada pelo Judiciário: RIGHT com confiança moderada, já que a apuração em si é correta.
Perspectivas omitidas

Rodada de julho revela que rejeição da eventual eleição do senador à Presidência da República continua alta, mas estável

Rodada de julho reforça estabilidade na disputa eleitoral, com oscilações dentro da margem de erro nos cenários de 1º e 2º turno

Investigado por suposta calúnia contra Lula, Flávio não compareceu ao depoimento presencial e enviou esclarecimentos por escrito à PF.
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