O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira, 27 de julho, a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República. A confirmação saiu de uma convenção nacional realizada em formato virtual, seguida de anúncio em Brasília. Aos 61 anos, Zema disputa o Palácio do Planalto pela primeira vez, depois de dois mandatos à frente do governo mineiro e de uma renúncia, em março deste ano, feita justamente para viabilizar a candidatura.
Nascido em Araxá, no Triângulo Mineiro, em 1964, o candidato é formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas e é herdeiro do Grupo Zema, conglomerado fundado há mais de um século pelo bisavô, o imigrante italiano Domingos Zema. O grupo reúne cerca de 500 lojas de eletrodomésticos e atua também em combustíveis, concessionárias de veículos, imóveis e serviços financeiros. Zema assumiu o comando do negócio no início dos anos 1990 e permaneceu à frente dele até deixar a iniciativa privada pela política. Filiado por quase duas décadas ao PL, migrou para o Novo em 2018 e se elegeu governador no mesmo ano, apresentando-se como um nome de fora do sistema partidário. Em 2022 foi reeleito no primeiro turno, com 56% dos votos.
A cobertura de centro relatou o percurso com ênfase factual. Registrou o patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral em 2022, de quase R$ 130 milhões, que colocou o candidato entre os 20 mais ricos daquela eleição; a filiação anterior ao PL, entre 1999 e 2018; e o endurecimento recente contra o Supremo Tribunal Federal, incluindo o pedido de impeachment protocolado contra o ministro Alexandre de Moraes após as revelações do caso envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Anotou ainda que a chapa não tem vice definido e que o partido vem encontrando dificuldades para fechá-la.
Veículos de direita enfatizaram o programa econômico e a tentativa de ocupar o espaço entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Nessa leitura, o diferencial está na plataforma liberal: privatizações, redução de gastos públicos, reforma administrativa, mudanças na Previdência e combate aos supersalários do funcionalismo. A promessa de maior peso é privatizar a Petrobras, transformando a estatal em corporation, com capital pulverizado e sem controlador definido, o que, segundo o candidato, reduziria a influência política sobre a companhia. Essa cobertura também destacou as propostas do Novo para o Judiciário: fim das decisões monocráticas, mudança nos critérios de indicação de ministros e regras mais flexíveis para abrir processos de impeachment contra integrantes dos tribunais superiores.
Veículos de esquerda não haviam publicado sobre a convenção até o fechamento deste texto. O ângulo que esse campo costuma explorar aparece, ainda assim, nos próprios dados das reportagens: a doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ao Novo na campanha de 2022, e a concessão de incentivos fiscais à Eletrozema, empresa da família do candidato, enquanto ele governava Minas Gerais. São pontos que adversários usam para contestar tanto o discurso antissistema quanto a agenda de austeridade, que recai sobre servidores e programas sociais. Zema apoiou Jair Bolsonaro em 2018 e 2022 e hoje critica o campo que ajudou a eleger, movimento recebido com incômodo por dirigentes do Novo no Paraná e em Santa Catarina, que mantêm alianças regionais com o PL.
O que ainda não se sabe é quem completará a chapa. O candidato afirmou que pretende conversar com o ex-presidente do Supremo Joaquim Barbosa, nome cogitado pelo partido, e a definição precisa sair até 5 de agosto, prazo final das convenções partidárias. Também segue em aberto se o desempenho discreto nas pesquisas nacionais vai mudar: mesmo após o desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro, o ex-governador não absorveu esse eleitorado até agora. Nenhuma das reportagens detalha como a privatização da Petrobras seria executada, em que prazo, nem qual seria o custo fiscal e social das reformas prometidas.