O Partido Novo oficializou na segunda-feira, 27 de julho de 2026, a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República. A decisão saiu por aclamação em convenção nacional realizada de forma virtual e anunciada em evento na capital federal, com o candidato ao lado do presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, do senador Eduardo Girão e do ex-deputado Deltan Dallagnol. A chapa foi lançada sem vice: o nome do companheiro de chapa ficou para os dias seguintes, dentro do prazo de 5 de agosto fixado pela Justiça Eleitoral para o fechamento das convenções partidárias.
Toda a cobertura converge no essencial do discurso. Zema apresentou uma plataforma de corte de gastos, privatização de estatais, reforma administrativa, revisão da reforma da Previdência e fim dos chamados supersalários no serviço público. Na segurança pública, prometeu endurecer a lei penal, classificar facções criminosas como organizações terroristas e construir um presídio de segurança máxima em área remota da Amazônia para concentrar lideranças do crime organizado. Também criticou o Partido dos Trabalhadores e o governo Lula, atacou decisões e a composição do Supremo Tribunal Federal e evitou o confronto direto com Flávio Bolsonaro, candidato do PL, sinalizando uma possível composição à direita em eventual segundo turno. O ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa surgiu como o nome preferido para a vaga de vice, com a bandeira anticorrupção como argumento central.
Veículos de direita enfatizaram o perfil do candidato como empresário vindo de fora da política tradicional e como alternativa à polarização entre PT e PL, destacaram a promessa de vender Petrobras, Banco do Brasil e Correios como caminho para reduzir a dívida pública e derrubar os juros, e registraram a negativa de qualquer vínculo com o Banco Master. A cobertura de centro acrescentou os números que faltavam a esse enquadramento: o candidato aparece com 2% das intenções de voto em levantamento divulgado em 15 de julho e com 4% em outra sondagem do mesmo período, atrás de outros nomes do próprio campo, enquanto o presidente Lula lidera com 40% e o candidato do PL marca 28%. Em simulação de segundo turno, o ex-governador registra 41% contra 44% do presidente. A mesma cobertura de centro informou que a legenda usará cerca de R$ 80 milhões dos fundos partidário e eleitoral nesta campanha, com meta de 1,2 mil candidaturas, depois de anos recusando recursos públicos, e detalhou as propostas para o Supremo: idade mínima de 60 anos para ministros, lista tríplice na indicação presidencial e fim das decisões monocráticas.
Veículos de esquerda não registraram cobertura própria do anúncio até o fechamento desta edição, e é aí que fica o ponto cego da história: as objeções que esse campo costuma levantar contra a venda de estatais, contra a revisão de programas de transferência de renda como o Bolsa Família, contra o encarceramento em massa inspirado na experiência de El Salvador e contra a mudança nas regras de indicação ao Supremo ficaram sem eco no noticiário do dia.
Ainda não se sabe quem ocupará a vaga de vice. Joaquim Barbosa não confirmou nada e deixou a pré-candidatura por outra legenda alegando falta de estrutura partidária; o empresário Geraldo Rufino é cogitado; a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro descartou a hipótese, que esbarra ainda na regra que impede um partido de lançar candidato ao Planalto e indicar vice em chapa alheia. Segue em aberto se haverá aliança formal com o PL em eventual segundo turno, qual é o teor exato das acusações que ligam ministros do Supremo ao ex-banqueiro do Banco Master, citadas mas nunca detalhadas, e se os números de investimento e emprego que o candidato atribui à própria gestão em Minas Gerais resistem a verificação independente. Nenhuma das reportagens traz resposta do PT, do Supremo ou da campanha do candidato do PL.