O médico psiquiatra e escritor Augusto Jorge Cury, de 67 anos, anunciou pré-candidatura à Presidência da República pelo Avante, em disputa que marca sua estreia em eleições. A chapa tem como candidato a vice Júlio Delgado, filiado à mesma sigla. Natural de Colina, no interior de São Paulo, Cury nunca havia concorrido a cargo eletivo.
Formado em medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, com pós-graduação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e doutorado em psicologia multifocal pela Florida Christian University, ele é autor da Teoria da Inteligência Multifocal e ficou conhecido pelas dezenas de livros de autoajuda que publicou, além de palestras no Brasil e no exterior. Atua também como professor de pós-graduação e conferencista.
As duas coberturas convergem nos eixos programáticos apresentados: educação como prioridade e atenção específica a pessoas neurodivergentes, grupo que reúne condições como autismo, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e dislexia. Há convergência igualmente sobre o perfil do partido. O Avante foi fundado em 1989 como Partido Trabalhista do Brasil e teve o novo nome autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2017, mudança descrita como estratégia para se distanciar da imagem da política tradicional.
Veículos de esquerda trataram o lançamento dentro de uma série de perfis de presidenciáveis, com ênfase no currículo acadêmico, na trajetória de autor e no enquadramento do Avante como legenda de centro, sem emitir avaliação sobre as propostas. A cobertura de centro acrescentou o mote de campanha, a pacificação da mente, e descreveu as ideias para a educação como inovadoras, adjetivo que não aparece na descrição factual do outro lado e que aproxima o texto do vocabulário de divulgação da própria pré-candidatura. Veículos de direita não haviam registrado o anúncio até o fechamento desta reportagem, o que deixa a novidade sem o contraditório habitual desse campo, em geral atento ao custo de campanhas sem competitividade e à origem dos recursos públicos que as financiam.
A diferença entre as duas versões é, portanto, de tom e não de fato: os dados biográficos, a composição da chapa e o histórico partidário coincidem integralmente. O que muda é o grau de adesão ao material de divulgação do pré-candidato, mais contido em um caso e mais aderente no outro.
Não há, em nenhuma das versões, detalhamento de como as propostas de educação seriam financiadas, nem menção a plano de governo, alianças partidárias, tempo de propaganda, fundo eleitoral ou desempenho em pesquisas de intenção de voto. Também não há informação sobre a confirmação da candidatura em convenção partidária nem sobre o registro no Tribunal Superior Eleitoral, etapas que separam a pré-candidatura da candidatura formal. Nenhum dos textos ouviu adversários, especialistas em educação ou entidades que representam pessoas neurodivergentes.