A aula magna do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi interrompida na noite de 2 de julho de 2026, no Teatro de Arena da Unicamp, em Campinas. O evento, que tinha como tema os desafios econômicos do Brasil, começou por volta das 19h e foi paralisado depois que manifestantes passaram a protestar durante a fala do petista. A situação evoluiu para empurrões e troca de socos do lado de fora da arena, e imagens do episódio circularam amplamente nas redes sociais.
A cobertura de centro, como a da CNN Brasil, relatou os fatos de forma direta: os manifestantes foram retirados do local, houve briga física na sequência, e o pré-candidato a deputado estadual Matheus Pereira, do partido Missão, conhecido como Matheus Campinas, publicou um trecho da confusão alegando tratar-se de campanha antecipada. O PT divulgou nota classificando o episódio como violência política, reafirmando apoio a Haddad e prometendo acionar as medidas cabíveis. A assessoria do ex-ministro e a Unicamp foram procuradas, mas não se manifestaram de imediato.
Veículos de esquerda, como o ICL Notícias e o Diário do Centro do Mundo, enfatizaram a responsabilidade do Movimento Brasil Livre e do partido Missão, criado em 2025 e ligado ao MBL. Essas reportagens destacaram a nota do Diretório Central dos Estudantes da Unicamp, que acusou militantes da direita de terem ido ao campus apenas para provocar e gerar tumulto, e ressaltaram que os envolvidos não seriam estudantes, mas integrantes das equipes dos pré-candidatos. Nesses relatos, Haddad permaneceu no palco e continuou a aula, enquanto Matheus Campinas aparecia no centro da confusão, chegando a cair após uma rasteira.
Já a leitura associada à direita, reconstruída a partir das falas dos próprios manifestantes reproduzidas nas reportagens, apresenta outra versão: integrantes do MBL e do Missão afirmam que foram à Unicamp para questionar Haddad sobre o escândalo do INSS, sobre a chamada taxa das blusinhas e sobre sua atuação nos ministérios da Educação e da Fazenda. Segundo esse enquadramento, a interpelação seria legítima e teria terminado com agressões contra eles próprios. Matheus Pereira publicou vídeo em que aparece levando um chute, e Gabriel Piauhy, pré-candidato a deputado federal, acusou a segurança de Haddad de perseguir outro integrante do partido, Caio Santana.
Os três lados convergem em pontos centrais: houve um tumulto durante a aula, a confusão evoluiu para agressão física, e o episódio ocorre no contexto da pré-campanha para o governo de São Paulo em 2026. Divergem, porém, na atribuição de responsabilidade. A esquerda enquadra o caso como violência política organizada contra o direito ao debate acadêmico; a direita descreve uma tentativa de cobrar respostas que teria sido reprimida com agressão. A cobertura de centro registra ambas as versões sem tomar partido.
Ainda não se sabe quem iniciou a agressão física, quantas pessoas se feriram, nem se haverá responsabilização formal dos envolvidos. A Unicamp, que repostou uma cartilha de orientação para a comunidade acadêmica diante de provocações, não detalhou as providências que pretende adotar. Também permanece em aberto se o PT dará sequência às medidas judiciais anunciadas e como as autoridades eleitorais avaliarão o episódio.