A aula magna do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi interrompida na noite de quinta-feira, 2 de julho, no Teatro de Arena da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. O evento, que tratava dos desafios econômicos do Brasil, começou por volta das 19h e foi paralisado depois que manifestantes passaram a protestar durante a fala de Haddad. Após serem retirados do local, os grupos trocaram socos nas proximidades do teatro.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma factual: manifestantes interromperam a palestra, foram retirados e, na sequência, houve briga. Esses veículos registraram que o PT classificou o caso como violência política e reafirmou apoio a Haddad, enquanto o pré-candidato a deputado estadual do partido Missão, Matheus Pereira, o Matheus Campinas, publicou um trecho do tumulto e alegou tratar-se de campanha antecipada. A reportagem anotou ainda que Haddad e a Unicamp foram procurados e não se manifestaram até a publicação.
Há pontos em que todas as coberturas convergem. Os quatro relatos concordam que o evento era uma aula sobre economia, que a confusão começou durante a fala de Haddad, que os envolvidos foram retirados e que a situação evoluiu para agressões físicas do lado de fora da arena. Também é consenso que Matheus Pereira, pré-candidato ligado ao MBL, esteve no centro do episódio e que Haddad permaneceu no palco.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram que os responsáveis pelo tumulto foram integrantes do Movimento Brasil Livre e do partido Missão, criado em 2025 e ligado ao MBL, que teriam ido ao evento para provocar. Essas reportagens deram amplo espaço à nota do Diretório Central dos Estudantes da Unicamp, que atribuiu a briga a militantes da direita e os acusou de desrespeitar a segurança da universidade. A apuração desses veículos ressaltou que os manifestantes não eram estudantes e que a ação repetia estratégia vista em outros eventos recentes de Haddad, como a entrega do título de cidadão honorário em Santo André na semana anterior, quando um pré-candidato do Missão já o havia questionado sobre o escândalo do INSS.
Do outro lado do enquadramento, veículos de direita não produziram cobertura própria neste conjunto de reportagens, mas a versão do grupo de oposição está registrada nas próprias matérias: os pré-candidatos do Missão afirmam que foram ao evento para cobrar Haddad sobre o escândalo do INSS, a chamada taxa das blusinhas e sua gestão nos ministérios da Educação e da Fazenda. Matheus Pereira divulgou vídeo em que aparece levando um chute perto do palco, e Gabriel Piauhy acusou um segurança de Haddad de perseguir outro integrante do grupo. O MBL e o partido Missão sustentam que seus integrantes também foram agredidos.
O que ainda não se sabe é o essencial para fechar o quadro. Nem Haddad, nem a Unicamp, nem o MBL se manifestaram formalmente sobre a dinâmica do confronto até a publicação das reportagens. Não há apuração independente sobre quem iniciou as agressões físicas, e não foi divulgado registro de eventuais medidas de segurança ou providências legais anunciadas pelo PT.