O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República na campanha de 2026 foi realizado no domingo, 23 de agosto, às 20h, em São Paulo, e terminou com mais púlpitos vazios do que ocupados. Dos seis presidenciáveis convidados, apenas três subiram ao palco: o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o ativista e empresário Renan Santos (Missão) e o psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), os dois mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto, foram convidados, mas sinalizaram que não compareceriam. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que havia confirmado presença, cancelou na manhã do mesmo domingo. Os lugares dos ausentes foram mantidos no estúdio, representados por cadeira e púlpito vazios.
As justificativas para as ausências são distintas. A campanha do presidente manifestou descontentamento com os convites feitos a Romeu Zema e a Renan Santos, cujos partidos não atingem o mínimo de cinco parlamentares no Congresso Nacional que torna obrigatória a participação em debates, conforme a Lei das Eleições, a Lei 9.504 de 1997. O senador Flávio Bolsonaro vinha condicionando sua presença à do presidente, sob o argumento de que, sem o adversário no estúdio, passaria a ser o alvo principal dos demais concorrentes. Um sexto nome, Pablo Marçal (PRTB), sequer pôde ser incluído: em 20 de agosto, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu impedi-lo temporariamente de participar de debates e de aparecer no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão enquanto analisa o pedido de registro de sua candidatura, protocolado em 15 de agosto, último dia do prazo.
A cobertura de centro convergiu no essencial e tratou o encontro sobretudo como serviço ao eleitor: horário, plataformas de transmissão, mediação, ordem dos púlpitos, perfis biográficos dos três participantes e as regras de tempo. O formato previa blocos com perguntas dos apresentadores e de jornalistas, dois momentos de confronto direto sem intermediação dos âncoras, livre circulação pelo estúdio e administração do próprio tempo pelos candidatos, com réplicas e tréplicas equivalentes e direito de resposta avaliado em tempo real por comissão jurídica e jornalística.
As ênfases divergem a partir daí. Veículos de direita destacaram o vácuo deixado pelos líderes das pesquisas e a disputa interna pela representação do campo conservador, registrando que Ronaldo Caiado chegou ao debate depois de trocar o comando de sua comunicação, em meio a divergências sobre a estratégia de intensificar os ataques a Flávio Bolsonaro, e que os presentes cobraram publicamente a ausência dos favoritos ao chegar à emissora. Essa mesma cobertura sublinhou o tamanho do desafio dos participantes com dados da pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto: Caiado é desconhecido por 43% dos eleitores, Zema por 47% e Renan Santos por 65%, enquanto os demais nomes testados são desconhecidos por mais de 70% do eleitorado. Veículos de esquerda não figuram na cobertura reunida até aqui, de modo que o argumento sobre os critérios de convite, o ponto que sustentou a decisão da campanha do presidente, ficou registrado apenas como justificativa relatada, sem desenvolvimento editorial por esse campo.
O que ainda não se sabe é como o encontro esvaziado se converte em intenção de voto, se Lula e Flávio Bolsonaro comparecerão aos próximos debates da campanha e quando o Tribunal Superior Eleitoral concluirá a análise do registro de Pablo Marçal. Há ainda uma divergência não resolvida na própria cobertura: uma apuração informou duração prevista de duas horas para o encontro, enquanto outra estimou cerca de quatro horas com base em edições anteriores.