Uma cidadã de Serra Leoa, Fatmata Sesay, de 57 anos, vive há cerca de seis meses no Aeroporto Internacional de Belém. Ambulante que morava em São Paulo e tem visto brasileiro de imigrante regular, ela tentou viajar ao Panamá em busca do filho, mas foi barrada por não cumprir as exigências legais do país, teve o passaporte retido e acabou deportada de volta à capital paraense. Desde dezembro de 2025, dorme nas dependências do terminal.
A cobertura de centro relatou os fatos com base nas notas oficiais. A Justiça Federal determinou que o governo do Pará e o Ministério das Relações Exteriores assegurem assistência consular para regularizar a documentação necessária à viagem. O Ministério Público do Pará chegou a comprar uma passagem ao Panamá para a segunda-feira, dia 22, mas o embarque foi adiado. Segundo o promotor Nadilson Portilho Gomes, ainda faltavam documentos e vacinação. O novo passaporte de Fatmata já foi emitido, mas restam atualizar a carteira de vacinação e obter comprovante de renda e vistos antes de remarcar a viagem.
Veículos de esquerda enfatizaram o ângulo da vulnerabilidade social e da falha do Estado. O Ministério Público Federal, que também atua no caso, classificou a situação como abandono institucionalizado e pediu à Justiça Federal multa de R$ 170 mil aos governos municipal, estadual e federal por omissão no atendimento a migrantes. Nessa leitura, foi preciso a intervenção do Ministério Público e do Judiciário para que o poder público cumprisse seu dever de proteção a uma pessoa pobre e em situação de rua.
Veículos de direita, e as próprias notas dos órgãos, oferecem um contraponto. A origem do impasse foi uma decisão individual: o próprio promotor relata que Fatmata comprou a passagem sem observar as exigências legais do Panamá e por isso foi deportada. A concessionária Norte da Amazônia Airports afirma ter acionado os órgãos públicos assim que soube do caso e diz que, por limitações legais, não pôde ir além das medidas de suporte já adotadas. O governo estadual afirma ter atendido a imigrante em diferentes ocasiões. A Prefeitura de Belém informa que ela faz as refeições diárias no centro de atendimento à população de rua, foi incluída no CadÚnico e recebe Bolsa Família, mas se recusa a ir ao acolhimento noturno oferecido.
O que ainda não se sabe: o Itamaraty, procurado, não havia se manifestado até a publicação. Também não estão esclarecidas a situação do filho que ela busca no Panamá, a data efetiva em que a viagem poderá ocorrer e como a Justiça vai decidir sobre o pedido de multa aos três níveis de governo.