Os candidatos à Presidência da República entregaram ao Tribunal Superior Eleitoral, no sábado, 15 de agosto de 2026, as declarações de bens que acompanham o registro de candidatura. Os valores informados vão de R$ 33 mil a R$ 242 milhões e já podem ser consultados no sistema DivulgaCandContas, aberto ao público.
A menor declaração entre os presidenciáveis que informaram patrimônio é a de Samara Martins, da Unidade Popular, com R$ 33 mil, formados por um carro avaliado em R$ 29 mil e R$ 4 mil em poupança. Sua candidata a vice, Raquel Bricio, não informou bens à Justiça Eleitoral. A maior é a de Augusto Cury, do Avante, com R$ 242 milhões, entre os quais R$ 121 milhões em empréstimos à empresa Filadélfia Nature Participações, R$ 54 milhões em participações societárias e R$ 33 milhões em ações.
Entre os dois extremos ficam Edmilson Costa, do PCB, com R$ 454,4 mil, valor 9,4% menor do que o declarado em 2014; Renan Santos, do Missão, com R$ 795 mil, em sua primeira disputa eleitoral; Clariana Barão, do DC, com R$ 1,8 milhão distribuído entre três casas, um apartamento, uma fração de terreno, um veículo e dinheiro em conta; Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, com R$ 4,8 milhões; Flávio Bolsonaro, do PL, com R$ 8,2 milhões; Wilson Grassi, do Democrata, com R$ 50 milhões; Ronaldo Caiado, do PSD, com R$ 52,5 milhões; e Romeu Zema, do Novo, com R$ 178,7 milhões.
As variações em relação a declarações anteriores aparecem em todas as coberturas. Luiz Inácio Lula da Silva registrou queda de 35,7% frente aos R$ 7,4 milhões declarados em 2022, com a principal mudança nos recursos mantidos em planos de previdência privada. Flávio Bolsonaro informou alta de 370% sobre o valor de 2018, puxada por uma casa em Brasília avaliada em R$ 6,2 milhões, que passou a ser a maior parcela de seu patrimônio. Ronaldo Caiado declarou alta de 111% sobre 2022, com peso de imóveis rurais e animais de criação. Romeu Zema subiu 37,7%, com R$ 94,5 milhões concentrados em uma holding familiar. Hertz Dias, do PSTU, e Rui Costa Pimenta, do PCO, registraram candidatura sem declarar bens, e Leonardo Avalanche, do PRTB, ainda não havia registrado candidatura.
A disputa pelo Senado entrou no mesmo lote de registros. Michelle Bolsonaro, do PL, declarou R$ 4,4 milhões à Justiça Eleitoral ao se candidatar pelo Distrito Federal em sua primeira eleição: R$ 4,2 milhões em uma aplicação financeira, R$ 301,6 mil em um fundo de investimentos e um Volkswagen Fusca avaliado em R$ 30 mil. Seu suplente de chapa é o irmão por parte de pai, Diego Torres Dourado, que serviu por mais de uma década na Força Aérea Brasileira, passou pela Chefia de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, foi assistente parlamentar na Mesa Diretora do Senado Federal até o fim de 2022 e depois assessor especial no governo de São Paulo, de onde pediu exoneração.
A divergência entre as coberturas está no recorte, não nos números. Veículos de direita organizaram a informação como um ranking da corrida presidencial, do menor ao maior patrimônio, detalhando a causa da queda declarada pelo candidato do PT e apresentando as altas mais expressivas, inclusive a de 370% de Flávio Bolsonaro, apenas com a descrição do bem, sem linha de escrutínio. A cobertura de centro deslocou o foco para o Senado e tratou a declaração de Michelle Bolsonaro como registro de patrimônio e de composição de chapa, acrescentando o histórico funcional do suplente na administração pública. Até o momento não há cobertura de veículos de esquerda sobre o conjunto das declarações, o que deixa sem contraponto a leitura de que a variação patrimonial de quem exerce mandato exige explicação, e não apenas registro em formulário.
O que ainda não se sabe é a origem das altas declaradas. Nenhuma das matérias apresenta explicação dos candidatos para o crescimento de 370% desde 2018 ou de 111% desde 2022, nem resposta das campanhas. Também não há informação sobre eventual questionamento do Tribunal Superior Eleitoral às declarações, sobre o patrimônio dos candidatos que registraram candidatura sem declarar bens, nem sobre o valor que será informado pela candidatura do PRTB quando o registro for feito.