Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada em 30 de julho de 2026 colocou o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) na liderança da disputa pelo governo do Ceará, com 43% das intenções de voto, contra 33% do governador Elmano de Freitas (PT), que tenta a reeleição. O levantamento ouviu 1.002 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 24 e 28 de julho, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Está registrado na Justiça Eleitoral sob o número CE-09277/2026 e foi encomendado por um banco de investimentos, ao custo declarado de R$ 204.886,90.
No cenário estimulado de primeiro turno, com sete pré-candidatos, apareceram ainda o senador Eduardo Girão (Novo), com 3%, e Jarir Pereira (PSOL), com 1%. Os demais nomes não pontuaram. Os indecisos somam 13% e os que dizem votar em branco, anular ou não comparecer chegam a 7%. Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois primeiros colocados, o pré-candidato do PSDB marca 48% e o governador, 35%. Em abril, a mesma simulação registrava 46% a 35%, variação que fica dentro da margem de erro. Na medição de rejeição, o governador é o nome mais rejeitado do estado, com 39%, seguido por Ciro Gomes e Eduardo Girão, empatados em 32%.
A cobertura de centro concentrou-se nesses números e na metodologia, detalhando amostra, período de campo, registro eleitoral, contratante e custo, além de lembrar que a decisão de voto ainda não está fechada: 48% dos entrevistados afirmam que podem mudar de posição, enquanto 51% consideram a escolha definitiva. Os textos de centro também registraram o quadro da gestão estadual, aprovada por 52% e desaprovada por 33%, avaliada como positiva por 37%, regular por 34% e negativa por 23%. Para 51% dos ouvidos, o governador merece um novo mandato; 40% dizem que não.
Veículos de direita enfatizaram o tamanho da vantagem e a fragilidade do governo estadual, tratando o resultado como distância consolidada de mais de dez pontos sobre o governador petista, com destaque para a liderança na rejeição, para o avanço da avaliação negativa da gestão, que subiu de 19% em abril para 23%, e para o fato de a violência ser apontada como principal problema do estado por 53% dos entrevistados, muito à frente de saúde, com 18%, e desemprego, com 4%.
Veículos de esquerda destacaram os recortes por segmento ideológico do mesmo levantamento, que mostram o pré-candidato do PSDB como principal polo de atração do eleitorado conservador: 72% entre os que se declaram bolsonaristas e 62% na chamada direita não bolsonarista, contra 9% e 7% do senador do Novo nesses grupos. Nessa leitura, a liderança se explica pelo voto antipetista e pela percepção de apoio do ex-presidente, que cresceu de 11% em abril para 20% do eleitorado. Essa cobertura também sublinhou que o governador mantém a preferência nos segmentos de esquerda, com 58% dos lulistas e 53% da esquerda não lulista, e que 77% dos bolsonaristas e 86% da direita não bolsonarista afirmam que ele não merece ser reeleito.
O mesmo material de esquerda registrou o atrito interno no campo conservador. Durante o encontro nacional do partido Novo, em 25 de julho, em São Paulo, o senador Eduardo Girão criticou a aproximação da direita com o ex-governador e disse ser vergonhoso apoiar quem, segundo ele, seria adversário em 2030. No estado, o PL fechou aliança com o PSDB e indicou candidato ao Senado na chapa, arranjo que também produziu desgaste público entre a ex-primeira-dama, que apoia o senador do Novo, e o pré-candidato à Presidência pelo PL.
O que ainda não se sabe é quanto desse quadro sobrevive ao início oficial da campanha. Nenhuma das coberturas informa a margem de erro específica dos recortes por segmento ideológico, que trabalham com subamostras menores do que o total. Também não há, nos textos, resposta do pré-candidato do PSDB às críticas feitas pelo senador, nem definição formal sobre eventual apoio explícito do ex-presidente. Com quase metade do eleitorado admitindo mudar de voto e a violência dominando a agenda de preocupações, o desenho final da disputa segue em aberto.