O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) anunciou na segunda-feira, 3 de agosto, que não disputará o governo de Minas Gerais. Em vídeo gravado ao lado do presidente nacional do partido, o deputado Marcos Pereira, e do presidente estadual da legenda, Euclydes Pettersen, o senador chorou, pediu perdão aos mineiros e atribuiu a desistência ao luto pela morte do irmão, Matheus Azevedo, vítima de complicações de leucemia em 18 de julho. Um dia depois, durante a convenção nacional do partido em Brasília, ele voltou atrás e pediu a vaga; Pereira negou o pedido e declarou encerrada a fase deliberativa do encontro.
O episódio fecha, sem desfecho tranquilo, uma sequência de idas e vindas que se arrastava desde março, quando a pré-candidatura foi confirmada. As diferentes coberturas convergem nos fatos principais. O senador liderava com folga as pesquisas de intenção de voto, com 35% no levantamento Genial/Quaest divulgado em 28 de julho e até 38% na rodada RealTime Big Data de 30 de julho, mais de vinte pontos à frente do segundo colocado, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. Ele faltou à convenção estadual de 25 de julho, na qual o partido deixou de oficializar nomes para os cargos majoritários. E viu a cúpula da legenda divulgar, em 29 de julho, uma nota atribuindo a ele a responsabilidade pelo fracasso das negociações, com a frase de que faltou a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo. Também é ponto pacífico que a saída do favorito reorganiza a disputa no segundo maior colégio eleitoral do país e empurra os partidos do campo conservador para uma composição em torno do ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro.
A cobertura de centro concentrou-se na cronologia e nas dimensões pessoal e institucional do caso: o vídeo com o senador em lágrimas, a versão do partido de que a decisão partiu dele próprio, a sequência de reuniões em São Paulo e Brasília, a regra de filiação partidária que impedia qualquer troca de legenda, a lista das candidaturas já confirmadas em convenção e o detalhe de que o presidente estadual da legenda foi indiciado pela Polícia Federal semanas antes, na apuração sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, acusação que ele nega. Veículos de direita enfatizaram outro eixo: o custo estratégico da indefinição para a montagem do palanque do presidenciável Flávio Bolsonaro em Minas, o risco de fragmentação do campo conservador a poucos dias do fim do prazo das convenções e a leitura, atribuída a dirigentes, de que o comportamento imprevisível do senador já preocupava aliados antes do luto. Parte dessa cobertura também deu espaço a manifestações de apoio vindas de fora da política partidária, tratando a liderança nas pesquisas como uma voz do eleitorado contrariada pela decisão da cúpula. Veículos de esquerda não registraram cobertura própria do episódio no material reunido até aqui, de modo que a leitura crítica sobre o peso das direções partidárias e sobre a ausência de debate programático na disputa mineira não aparece no noticiário disponível.
Permanecem em aberto pontos centrais. Não está confirmado quem encabeçará a chapa da direita, se o ex-secretário cotado ou um nome do próprio PL, e o prazo para as convenções se encerra em 5 de agosto, com o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral previsto para 15 de agosto. Também não se sabe para onde migram os cerca de 35% de intenção de voto que o senador reunia, nem qual foi o peso relativo do luto e do cálculo político na decisão, já que as versões do partido e do parlamentar variaram ao longo de uma única semana.