Flávio Bolsonaro e Lula: campanhas trocam acusações de fake news no 2º turno
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Veículos de esquerda enfatizam que bolsonaristas tentaram emplacar uma teoria conspiratória de que a esquerda daria um golpe se Flávio Bolsonaro vencesse, usando o fechamento de embaixadas como pretexto e atacando a credibilidade do STF e do governo Lula.
Veículos de direita enfatizam que, após o primeiro turno, a esquerda e a campanha de Lula acionaram uma fábrica de fake news para instalar pânico no eleitorado, e defendem punição pela Justiça Eleitoral.
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2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
A eleição presidencial de 2026 vai ao segundo turno, em 25 de outubro, com acusações de desinformação nos dois lados. O texto mostra como a esquerda e a direita contam o caso e o que a Polícia Federal e o TSE verificaram.
A disputa pela presidência em 2026 chega ao segundo turno, marcado para 25 de outubro, com acusações cruzadas de desinformação. A cobertura de dois lados traz episódios diferentes, mas com o mesmo pano de fundo: a guerra de narrativas nas redes entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, do PL, e os de Lula, do PT.
Veículos de esquerda destacaram que bolsonaristas tentaram emplacar, às vésperas do primeiro turno, a teoria de que a esquerda tentaria um golpe caso Flávio vencesse. A versão ganhou força na sexta-feira, dia 2 de outubro, e ligava o fechamento temporário de representações diplomáticas a uma suposta preparação dos Estados Unidos para intervir no país. Segundo a narrativa, o governo americano teria descoberto um plano do Supremo Tribunal Federal e do governo Lula para anular a eleição. Algumas publicações falavam em guerra civil. Outras diziam que o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho fariam ataques terroristas perto de embaixadas.
Os fatos verificáveis são mais simples. Na quinta-feira, dia 1º, os Estados Unidos anunciaram a suspensão de atendimentos consulares presenciais, por preocupações com segurança. Na sexta, a Austrália fechou sua embaixada em Brasília pelo mesmo motivo. Os comunicados não citaram interferência no resultado. A Polícia Federal fez uma operação preventiva, em cooperação com agências estrangeiras, e informou que não achou elementos que confirmassem os riscos nem suspeitos ligados a facções. O diretor-geral, Andrei Rodrigues, repetiu no domingo, dia 4, que não houve comprovação de risco efetivo. O Tribunal Superior Eleitoral também desmentiu mensagens sobre ataques de facções no dia da votação.
Pelo relato da cobertura de esquerda, o alcance foi grande. Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque contou 164,8 mil publicações sobre intervenção estrangeira na sexta, com 2,2 milhões de interações. O deputado federal Paulo Bilynskyj, do PL de São Paulo, relacionou o fechamento das embaixadas a uma suposta previsão de vitória de Flávio, em post com 429 mil visualizações. O candidato Jeffrey Chiquini, do Novo do Paraná, citou uma publicação do ministro Flávio Dino e um pedido de afastamento de ministros, em vídeo com 2,9 milhões de visualizações. A mesma cobertura lembra que o agregador de pesquisas dava a Lula 40,2% e a Flávio 36,8% na noite de sábado, o que contrariava a ideia de vitória no primeiro turno.
A cobertura de direita, em artigo de opinião, olha para o segundo turno e inverte a acusação. O texto afirma que a campanha de Lula e a esquerda acionaram uma fábrica de fake news. Cita o boato de que Flávio acabaria com o feriado de Nossa Senhora Aparecida, que teria sido desmentido na Justiça. Lembra que a ação sobre o feriado no Supremo foi assinada por um advogado ex-dirigente do PT e que o governo de Jair Bolsonaro defendeu o feriado. Menciona também publicações, endossadas segundo o autor por influenciadores e pela primeira-dama Janja da Silva, de que Flávio privatizaria o SUS e acabaria com o Bolsa Família e a Farmácia Popular. A equipe do candidato diz que isso é falso. O texto aponta ainda deepfakes que usam inteligência artificial e cobra a aplicação da resolução do TSE e do Código Eleitoral, com remoção dos conteúdos e responsabilização criminal.
Há convergência de fundo: os dois campos tratam a desinformação como ameaça à eleição e defendem a atuação da Justiça Eleitoral. A divergência está em quem é apontado como origem. A esquerda põe o foco na teoria conspiratória bolsonarista sobre o sistema judicial e as embaixadas. A direita põe o foco nos boatos atribuídos à campanha petista sobre o programa de Flávio. A cobertura de centro não apareceu entre as fontes, e as duas leituras partem de textos de um só campo cada.
O que ainda não se sabe: não há dados independentes sobre a autoria dos boatos do segundo turno nem sobre o placar de 53% a 47% citado no artigo de opinião. Também não está claro por que, exatamente, as representações diplomáticas fecharam, já que as autoridades não confirmaram ameaça concreta.
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