O ex-presidente Jair Bolsonaro quer manter a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na disputa por uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal nas eleicoes de 2026. A decisao ocorre em meio a uma crise publica com o filho mais velho do ex-presidente, o senador Flavio Bolsonaro, pre-candidato do PL a Presidencia. Segundo apuracao da CNN, Michelle chegou a ameacar sair da disputa em conversa com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, mas deve lancar oficialmente a candidatura proximo do dia 25 de julho, quando o partido realiza sua convencao nacional em Sao Paulo e confirma Flavio como candidato ao Palacio do Planalto.
A cobertura de centro, encabecada pela CNN Brasil, pelo Estado de Minas e pelo Correio Braziliense, relatou os fatos de forma factual: Michelle acertou sua saida da presidencia do PL Mulher depois de divulgar um video em que acusou o enteado de te-la 'maltratado', 'desrespeitado' e 'humilhado' em meio a divergencias sobre a articulacao do partido no Ceara. Flavio negou as acusacoes e afirmou que 'nunca humilhou uma mulher na vida'. Esses veiculos destacaram tambem os dados de pesquisa: no levantamento do instituto Franca, divulgado em 3 de julho, Michelle foi citada por 30% dos eleitores do DF como opcao para a primeira vaga ao Senado, a frente da deputada Erika Kokay, do PT, com 16,7%. Um ponto convergente em toda a cobertura e a barreira legal: como o prazo de filiacao partidaria se encerrou em 3 de abril, uma eventual troca de legenda agora inviabilizaria a candidatura, o que afasta a especulacao de migracao ao Republicanos.
Veiculos de direita, como o portal Area VIP, enfatizaram o gesto de Jair Bolsonaro ao 'bater o pe' para manter a esposa na disputa e ampliaram a leitura de que a ex-primeira-dama seria alvo de ataques politicos. Nessa linha, a senadora Damares Alves saiu em defesa de Michelle na Comissao de Direitos Humanos, afirmando que mulheres conservadoras vem sofrendo hostilidade e que adversarios usam ataques pessoais e familiares para enfraquecer liderancas femininas da direita. A governadora do DF, Celina Leao, aliada proxima, tambem manifestou confianca de que Michelle seguira na corrida. A cobertura de direita chegou a mencionar boatos de que a candidatura ao Senado seria preparacao para um projeto presidencial em 2030, ainda que sem fonte identificada.
O fio que atravessa todas as versoes e o calculo de poder: aliados avaliam que, com um mandato, Michelle 'muda de patamar' e se torna uma das principais cabos eleitorais do campo conservador para fortalecer as bancadas no Congresso. Ao mesmo tempo, aliados de Flavio temem que a entrada dela na disputa vire fator de desagregacao e que a campanha da ex-primeira-dama sirva de palco para novas criticas ao filho do ex-presidente.
O que ainda nao se sabe e se Michelle confirmara ou nao a candidatura. Ate o momento, ela jamais admitiu publicamente a vontade de concorrer e costuma dizer que seu destino politico esta 'entregue a Deus' e sera definido junto com o marido. A decisao final deve ocorrer apenas as vesperas das convencoes partidarias, previstas para o inicio de agosto, antes do prazo de registro de candidaturas, marcado para 15 de agosto. Tambem permanece em aberto se a trégua entre Michelle e Flavio se sustentara ate o inicio da campanha.