O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), reagiu nesta segunda-feira à publicação da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) que comparava a produção legislativa dos cinco deputados mais votados nas eleições de 2022. Em um vídeo nas redes sociais, Tabata listou Nikolas Ferreira (PL-MG), Boulos, Carla Zambelli (PL-SP), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Ricardo Salles (Novo-SP) e afirmou que, apesar da votação expressiva, esses parlamentares transformaram poucos projetos em lei. Segundo ela, o próprio balanço a coloca em 32 projetos aprovados, mais do que os cinco somados. 'Isso aqui não é normal, gente. Não pode ser. São milhões de brasileiros que deram seu voto de confiança e que estão recebendo migalhas em retorno', declarou a deputada, defendendo que eleitores acompanhem a atuação parlamentar antes de escolher candidatos.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma factual e detalhada. Veículos como Metrópoles e Folha de S.Paulo reproduziram as falas dos dois lados com paridade e recuperaram o histórico da rivalidade: Tabata e Boulos foram adversários na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024, quando ela ficou em quarto lugar e declarou voto no psolista no segundo turno, sem participar de atos de campanha. O prefeito eleito foi Ricardo Nunes (MDB). O Metrópoles trouxe os números do levantamento de Tabata: Boulos teria tido cinco projetos transformados em lei em seu primeiro mandato; Nikolas Ferreira, três; Carla Zambelli, cinco em dois mandatos; Eduardo Bolsonaro, cinco em três mandatos; e Ricardo Salles, nenhum. A metodologia considerou apenas propostas de autoria ou relatoria que viraram lei.
Boulos respondeu em seu perfil na rede social X. Chamou a comparação de 'lamentável', sobretudo vinda de alguém 'do campo progressista', e afirmou ter orgulho das propostas que aprovou, citando a Lei das Cozinhas Solidárias, que segundo ele ajudou a tirar o Brasil do Mapa da Fome. O ministro também alfinetou a colega: 'Teria vergonha se tivesse votado a favor da Reforma da Previdência de Bolsonaro ou se fosse autor de uma lei que criminaliza as críticas ao genocídio de Israel na Faixa de Gaza.' Boulos está licenciado do mandato de deputado desde outubro de 2025, quando assumiu a Secretaria-Geral da Presidência no governo Lula.
As coberturas divergem no enquadramento. Veículos de esquerda, como a CartaCapital, destacaram que Boulos foi o deputado mais votado do país em 2022, com mais de um milhão de votos, e trataram a comparação com Nikolas Ferreira, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli como uma equiparação injusta a bolsonaristas, valorizando o conteúdo social do mandato do ministro. Já a leitura possível de veículos de direita enfatizaria o outro ângulo: a cobrança de prestação de contas feita por Tabata, o argumento de que popularidade nas redes não substitui entrega legislativa, e a réplica irritada de Boulos como sinal de incômodo diante dos números. A cobertura de centro, predominante neste caso, ateve-se a reproduzir os dois discursos sem tomar partido.
O que ainda não se sabe é se os números apresentados por Tabata resistem a uma checagem independente, já que nenhuma das reportagens auditou a metodologia além da descrição da própria deputada. Também permanece em aberto se o episódio terá desdobramentos na articulação entre PSB e PSOL às vésperas do ciclo eleitoral de 2026 e se outros parlamentares citados se manifestarão.