A dívida bruta do Governo Geral subiu para 81,1% do Produto Interno Bruto em maio de 2026, o equivalente a R$ 10,62 trilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central em 30 de junho. É o maior patamar em cinco anos, desde maio de 2021, quando o indicador marcava 81,4% do PIB. No mesmo mês, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões, resultado pior do que o mercado esperava. O governo central respondeu pela maior parte do saldo negativo, com déficit de R$ 55,2 bilhões, enquanto estados e municípios ficaram no vermelho em R$ 1,2 bilhão e as estatais tiveram superávit de R$ 273 milhões.
A cobertura de centro relatou os números de forma didática e ancorada nas fontes oficiais. Reportagens de veículos econômicos como o InfoMoney destacaram que tanto a dívida quanto o déficit vieram acima das expectativas de economistas consultados em pesquisa da Reuters. A apuração do G1 detalhou o quadro completo: pelo conceito do Fundo Monetário Internacional, adotado internacionalmente, o endividamento brasileiro foi ainda maior, chegando a 94,3% do PIB, patamar acima de nações emergentes, de países sul-americanos e da média da Zona do Euro. A alta foi atribuída principalmente ao aumento de gastos públicos e às despesas com juros, além da antecipação no pagamento de precatórios pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Os três lados convergem sobre os fatos centrais: os números do Banco Central, a magnitude do déficit e o nível recorde da dívida em cinco anos não são contestados. A divergência está no enquadramento das causas. Veículos de direita enfatizaram que, no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida avançou 9,4 pontos percentuais, de 71,7% para 81,1% do PIB, lendo o dado como retrato de descontrole fiscal. Essa cobertura associou o quadro à inadimplência das famílias, que atingiu 4,7% em maio, maior nível desde 2011, com 81,7 milhões de consumidores negativados segundo a Serasa, e deu voz a especialistas que consideram o arcabouço fiscal insustentável sem corte robusto de despesas.
A leitura de esquerda, por sua vez, tenderia a destacar que a maior parte do resultado nominal negativo, de R$ 163,7 bilhões no mês, vem das despesas com juros, puxadas pela taxa Selic em 14,25% ao ano, e não de gastos discricionários. Nessa chave, a antecipação de precatórios reflete compromissos judiciais que o Estado é obrigado a honrar, e o arcabouço fiscal de 2023 buscou equilíbrio sem sacrificar investimento e proteção social. Vale registrar que, no cluster analisado, a cobertura foi predominantemente factual e de veículos de centro e de direita, sem uma matéria de esquerda explícita sobre o dado.
O que ainda não se sabe é se o governo conseguirá cumprir a meta fiscal do ano, de déficit de 0,25% do PIB dentro da margem de tolerância, e por quanto tempo o arcabouço fiscal se sustentará no formato atual. Analistas de mercado projetam que a dívida pode chegar a 100% do PIB até 2035 pelo conceito brasileiro, e acima de 110% pelo conceito do FMI, mas essas estimativas dependem de decisões de política fiscal e monetária ainda em aberto.