A dívida bruta do Governo Geral brasileiro subiu para 81,1% do Produto Interno Bruto em maio, o equivalente a R$ 10,62 trilhões, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central. É o maior patamar em cinco anos, desde maio de 2021, quando o indicador somava 81,4% do PIB. No mesmo mês, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões, resultado pior do que o esperado por economistas.
A cobertura de centro, como a do portal g1, detalhou que o governo central respondeu pela maior parte do rombo, com déficit de R$ 55,2 bilhões, enquanto estados e municípios tiveram saldo negativo de R$ 1,2 bilhão e as estatais registraram superávit de R$ 273 milhões. Essa cobertura explicou que a alta da dívida está relacionada, principalmente, ao aumento de gastos públicos e às despesas com juros, com a taxa Selic em 14,25% ao ano. Também apontou que parte da piora nas contas do ano decorre da antecipação no pagamento de precatórios, que incluem sentenças judiciais, defesa e educação.
Veículos de perspectiva de mercado, como o InfoMoney, enfatizaram que tanto a dívida quanto o déficit vieram acima das expectativas: a pesquisa da Reuters projetava 80,7% do PIB para a dívida bruta e saldo negativo de R$ 53,5 bilhões, ambos superados pelos números reais. Esse enquadramento trata o resultado como um sinal de alerta para os investidores.
Veículos de direita destacaram o eixo político do dado. Frisaram que, no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, a dívida avançou 9,4 pontos percentuais, tendo o governo assumido com o indicador em 71,7% do PIB. Nessa leitura, o crescimento do endividamento reflete a expansão do gasto público e a falta de disciplina fiscal, e a solução passaria por um corte robusto de despesas.
Há convergência entre os lados sobre os números e sobre a fragilidade do arcabouço fiscal aprovado em 2023, que substituiu o teto de gastos. A regra limita o crescimento das despesas a 2,5% ao ano em termos reais e a 70% do aumento da arrecadação. Especialistas ouvidos pelas reportagens estimam que, sem ajustes, a regra ficará insustentável, o que pode pressionar os juros cobrados ao setor produtivo. Pelo conceito do FMI, adotado internacionalmente, o endividamento brasileiro foi ainda maior em maio, 94,3% do PIB, acima de emergentes e da média da Zona do Euro.
A divergência de cobertura está no acento: enquanto veículos de direita personalizam a alta na gestão do governo Lula e cobram corte de gastos, a cobertura de centro e de mercado distribui a explicação entre juros elevados, precatórios e dinâmica estrutural das contas. O que ainda não se sabe é se o governo conseguirá cumprir a meta fiscal do ano, de déficit de 0,25% do PIB, e como serão os próximos passos do ajuste. Analistas do mercado projetam que a dívida pode chegar a 100% do PIB em 2035 pelo conceito brasileiro, mas o desfecho dependerá das decisões fiscais dos próximos anos.