Brexit completa 10 anos em meio a dúvidas da população britânica
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Uma década após o referendo, a maioria dos britânicos reconhece que o Brexit foi um erro, segundo o YouGov, evidenciando os custos sociais de uma ruptura impulsionada por nacionalismo e desinformação. A instabilidade política, com a iminente sétima troca de premiê em pouco mais de dez anos e a renúncia de Starmer, expõe a fragmentação aberta pela saída da UE.
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Dez anos depois, o Brexit segue como expressão de uma decisão soberana tomada nas urnas, ainda que a opinião pública oscile. A renúncia de Starmer e a provável chegada de Andy Burnham, da ala mais à esquerda do Trabalhismo, reabrem o debate sobre reaproximação com Bruxelas, mas mesmo críticos hesitam diante de eleitorados que apoiaram a saída.
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Esquerda e direita reconhecem que o referendo de 2016 dividiu profundamente a sociedade britânica e que, dez anos depois, a maioria registrada em pesquisa do YouGov vê a saída da UE com ceticismo.
O referendo que retirou o Reino Unido da União Europeia, o Brexit, completa dez anos em meio a um eleitorado que ainda se pergunta se a escolha foi acertada. Em 2016, 51,9% dos britânicos votaram pela saída e 48,1% pela permanência no bloco europeu. Uma década depois, pesquisa recente do instituto YouGov mostra que 56% dos entrevistados consideram a decisão um erro e 62% a veem como um fracasso.
O marco chega num momento de turbulência política: o aniversário ocorre um dia após o anúncio da renúncia do primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer, que permaneceu quase dois anos no poder. Quase todas as previsões apontam Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester e nome da ala mais à esquerda do Partido Trabalhista, como provável sucessor. Burnham não defendeu abertamente um retorno imediato à UE, mas já afirmou ao canal ITV que existe um argumento de longo prazo a favor da reaproximação, ressalvando que não levaria a bandeira a um distrito eleitoral que apoiou a saída.
A cobertura de centro, baseada em despacho da agência francesa AFP, sustenta os fatos com fontes acadêmicas. Sara Hobolt, professora da London School of Economics, explica que o referendo criou duas tribos políticas, os Leavers e os Remainers, com identidades mais fortes do que a lealdade aos partidos. Segundo ela, o episódio transformou uma questão antes distante numa profunda divisão social e contribuiu para a fragmentação que coloca o país a caminho de seu sétimo primeiro-ministro em pouco mais de uma década. Catherine Barnard, professora de Cambridge, fala em trauma profundo e eleitorado ainda dividido.
O enquadramento divergiu pouco entre os lados, porque ambos reproduziram essencialmente o mesmo texto de agência. Ainda assim, veículos de esquerda tendem a destacar o arrependimento popular registrado nas pesquisas e os custos sociais da ruptura, enxergando na possível ascensão de Burnham um sinal de apetite por reaproximação com a Europa. Já veículos de direita enfatizam que o Brexit foi uma decisão soberana e majoritária nas urnas, lembrando que mesmo críticos como Burnham hesitam em defender o retorno diante de distritos que votaram pela saída, e que não há mandato claro para reverter o resultado.
O que ainda não se sabe é se Burnham, caso assuma, irá além de Starmer no esforço de aproximação com Bruxelas ou se adotará postura mais prudente. Também permanece em aberto a dimensão dos efeitos econômicos do Brexit ao longo da década, ponto que as reportagens não detalham, e o calendário concreto da sucessão no comando do governo britânico.
Em 2016, 51,9% dos eleitores votaram pela saída da UE, enquanto 48,1% votaram pela permanência no bloco europeu

Em junho de 2016, uma votação apertada decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia
