Ronaldo Caiado abre campanha sem o vice Gilberto Kassab após fala sobre Centrão
2 veículos de esquerda · 3 veículos de centro · 3 veículos de direita

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Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência da República, iniciou sua campanha no domingo, 16 de agosto, com missa em Goiânia e carreata por seis cidades do Entorno do Distrito Federal, terminando em Luziânia. O candidato a vice e presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, não participou dos atos; segundo Caiado, ele permaneceu em São Paulo coordenando o lançamento das candidaturas do PSD nos 27 estados. A ausência ocorreu dois dias depois de Kassab afirmar, em encontro com empresários, que os partidos do Centrão estão na prática com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que Flávio Bolsonaro teria chance zero de vencer a eleição. Caiado disse que a fala foi mal interpretada e reafirmou que não apoiará o PT em nenhum turno.
Veículos de esquerda leram a largada da campanha de Ronaldo Caiado como retrato do desarranjo da oposição. A ausência do candidato a vice, Gilberto Kassab, dois dias depois de ele dizer que o Centrão está com Lula e que Flávio Bolsonaro tem chance zero, é apresentada como o primeiro sinal de racha em uma chapa que precisa disputar espaço com o bolsonarismo.
Veículos de direita enquadraram o domingo como a afirmação de Ronaldo Caiado como alternativa de oposição com gestão comprovada. A carreata começou justamente nas cidades do Entorno do Distrito Federal com histórico de violência para exibir o que o candidato considera o resultado central de seus dois mandatos em Goiás, a queda da criminalidade, e para sustentar a proposta de tratar facções criminosas como organizações terroristas.
8 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Todos os lados registram os mesmos fatos: a carreata de estreia ocorreu em seis cidades do Entorno do Distrito Federal sem o candidato a vice Gilberto Kassab, dois dias após ele dizer que o Centrão está com Lula e que Flávio Bolsonaro tem chance zero. Também há convergência de que Ronaldo Caiado afirmou não apoiar o PT em nenhum turno e de que segurança pública é sua bandeira central.
A largada da campanha presidencial de Ronaldo Caiado, no domingo 16 de agosto, foi marcada pela ausência do candidato a vice Gilberto Kassab, dias depois de ele afirmar que o Centrão está com Lula e que Flávio Bolsonaro tem chance zero de vencer. A cobertura de esquerda, centro e direita descreveu o episódio de formas distintas, e a pesquisa mais recente ajuda a dimensionar a disputa.
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, deu a largada de sua campanha eleitoral no domingo, 16 de agosto, com uma missa na Catedral Metropolitana de Goiânia seguida de carreata por cidades do Entorno do Distrito Federal. O roteiro começou em Águas Lindas de Goiás e passou por Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental, terminando à noite em Luziânia, onde o ex-governador discursou ao lado da mulher, Gracinha Caiado, candidata ao Senado pelo União Brasil, e do governador de Goiás, Daniel Vilela, do MDB, que disputa a reeleição.
O ato de estreia aconteceu sem o candidato a vice da chapa, Gilberto Kassab, que preside nacionalmente o PSD. A ausência ganhou peso político porque ocorreu dois dias depois de Kassab afirmar, em encontro com empresários em São Paulo, que os partidos do Centrão que não apoiam a candidatura do PSD estão na prática ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que a chance de Flávio Bolsonaro vencer a eleição seria zero. Caiado disse que o companheiro de chapa permaneceu em São Paulo para coordenar o lançamento das candidaturas do partido nos 27 estados e classificou a repercussão como exagero: afirmou que a declaração foi mal interpretada e que o dirigente apenas descreveu por que a maioria das siglas optou pela neutralidade.
A cobertura de centro relatou os fatos verificáveis do dia com paridade entre as versões. Registrou o itinerário da carreata, a justificativa apresentada para a ausência do candidato a vice, a resposta do próprio Kassab de que estava organizando a largada da campanha nos 27 estados e a reação de Flávio Bolsonaro em rede social, para quem o presidente do PSD teria entregado o jogo. Esses veículos também situaram o episódio na disputa medida pela pesquisa Genial/Quaest divulgada em 14 de agosto, que ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios, tem margem de erro de dois pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral: Lula aparece com 38%, Flávio Bolsonaro com 31% e Caiado com 4% no primeiro turno.
Há convergência entre todos os lados sobre o núcleo dos fatos. Ninguém contesta que a carreata ocorreu sem o candidato a vice, que a fala sobre o Centrão foi dita na quinta-feira, 13, que Caiado publicou no sábado, 15, a promessa de não estar ao lado de Lula ou do PT em nenhum turno, e que a segurança pública é a bandeira central de sua campanha. Também é ponto comum que ele foi o único entre os principais presidenciáveis a não iniciar a campanha pelo Sudeste, e que seu plano de governo, apresentado na sexta-feira, reúne cerca de 40 propostas elaboradas com participação do ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta.
A divergência está na leitura do episódio. Veículos de esquerda enfatizaram o desgaste da oposição: descreveram o candidato como bombeiro da própria campanha, trataram a ausência do vice como sinal de racha na direita e apontaram contradição entre o discurso de devolver o país aos brasileiros e o memorando sobre minerais críticos assinado por Caiado com o governo dos Estados Unidos em março. Esses textos deram destaque à reação do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, para quem a candidatura do PSD não seria para valer. Já veículos de direita enfatizaram a agenda e a biografia do candidato: apresentaram a escolha de cidades com histórico de violência como vitrine dos resultados de segurança atribuídos à sua gestão estadual, deram espaço à proposta de classificar facções criminosas como organizações terroristas e às promessas de confisco de bens de agressores de mulheres e de pena de 40 anos com cumprimento de 90%, além de reproduzirem sem contestação a afirmação de que ele nada tem a explicar sobre corrupção.
O que ainda não se sabe é se a divergência entre Caiado e Kassab terá desdobramento prático na chapa, já que os dois não apareceram juntos na estreia e não há agenda conjunta divulgada. Também segue em aberto se os partidos do Centrão manterão a neutralidade até o primeiro turno, qual o efeito das declarações sobre a campanha de Flávio Bolsonaro e se os resultados de segurança pública citados pelo candidato se sustentam diante das séries estatísticas de criminalidade do Entorno do Distrito Federal, que nenhum dos textos apresentou.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: viés de centro.