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Relatório da Rede A Ponte divulgado em 11 de agosto de 2026 ouviu mais de 70 vereadoras e concluiu que 77% dos episódios de violência política relatados ocorreram dentro da própria Câmara Municipal em que elas exercem o mandato. Seis em cada dez vereadoras brancas e oito em cada dez negras disseram já ter sofrido violência política, e 64% das agressões aconteceram durante o mandato. O estudo aponta que oito em cada dez agressores são homens brancos cisgêneros e que em 34% dos casos o autor era colega de partido. Dos 44 casos registrados, 12 viraram denúncia formal e nenhum teve encaminhamento na Justiça ou no partido, apesar da Lei 14.192/2021, que alterou o Código Eleitoral para proteger os direitos políticos das mulheres.
Um relatório sobre violência política de gênero e raça no Legislativo municipal ouviu mais de 70 vereadoras e concluiu que a maior parte das agressões acontece dentro da própria Câmara em que elas exercem o mandato. O estudo também mostra que, das denúncias formais registradas, nenhuma teve encaminhamento na Justiça ou nos partidos.
Um levantamento divulgado em 11 de agosto de 2026 pela Rede A Ponte apontou que a própria Câmara Municipal é o principal cenário da violência política sofrida por vereadoras no Brasil. Intitulado Raio X da Violência Política de Gênero e Raça no Legislativo Municipal, o relatório ouviu mais de 70 parlamentares e concluiu que 77% dos episódios relatados aconteceram dentro da casa legislativa em que as vítimas exercem o mandato. Seis em cada dez vereadoras brancas e oito em cada dez negras disseram já ter sofrido violência política.
Os números descrevem um padrão de autoria bastante definido. Segundo o estudo, oito em cada dez agressores são homens brancos cisgêneros, 64% das agressões ocorrem durante o exercício do mandato e, em 34% dos casos, o autor era colega de partido da vítima, situação que o próprio relatório chama de fogo amigo. Entre os tipos de violência, 89% das entrevistadas relataram agressões psicológicas, como corte de microfone, interrupção de fala, chantagem e humilhação; 82% citaram violência simbólica, com exclusão de espaços de decisão e autocensura; e 59% mencionaram violência moral, com calúnia, difamação e injúria. Ataques à identidade, condição e raça aparecem em 30% dos relatos. O documento registra ainda violência econômica, com retenção ou desvio de recursos partidários, violência processual, com denúncias sem embasamento usadas para desgaste, assédio sexual e violência física, incluindo tentativa de feminicídio.
A resposta institucional aparece como o ponto mais frágil do diagnóstico. Dos 44 casos de violência de gênero e raça registrados, 12 resultaram em denúncia formal e nenhum teve encaminhamento na Justiça ou dentro do partido. Isso ocorre apesar da Lei 14.192, de 2021, que alterou o Código Eleitoral para proteger os direitos políticos das mulheres. Pelo caminho descrito no relatório, para que a lei seja acionada é preciso que a denúncia chegue ao Ministério Público e seja encaminhada por ele à Justiça Eleitoral. O pano de fundo são os dados do Tribunal Superior Eleitoral entre 2000 e 2024: naquele ano, mulheres ocuparam 18,2% das cadeiras nas câmaras municipais, 734 municípios não elegeram nenhuma mulher, e mulheres negras, que são 28% da população, ficaram com 7,5% das cadeiras. Entre as candidatas indígenas, 39 das 924 foram eleitas, o equivalente a 0,07% das cadeiras.
A cobertura ajuda a entender onde o tema circula e onde ele para. Veículos de esquerda destacaram o eixo estrutural do relatório, com ênfase na desigualdade de poder que organiza a política brasileira, no abandono das eleitas por seus próprios partidos e no efeito de esvaziamento da representatividade democrática, além de reproduzir o apelo das pesquisadoras para que a imprensa trate o assunto como problema público. Veículos de direita republicaram o material integralmente, mantendo todos os percentuais e sem acrescentar contestação aos dados nem apuração própria, o que indica que os números do estudo não estão em disputa no debate público imediato. A cobertura de centro esteve ausente até o momento: nenhum veículo de perfil centrista publicou o levantamento, de modo que não houve verificação independente da amostra nem busca de posição das câmaras municipais, dos partidos e dos órgãos eleitorais.
O que ainda não se sabe pesa sobre a leitura dos resultados. O material divulgado não detalha a metodologia da pesquisa, o critério de seleção das mais de 70 parlamentares ouvidas nem a distribuição geográfica dos municípios cobertos. Também não há explicação para o fato de nenhuma das 12 denúncias formais ter avançado, nem manifestação do Ministério Público, da Justiça Eleitoral ou das legendas citadas de forma agregada. Sem esses elementos, permanece em aberto se a barreira principal está na notificação, na tipificação do crime ou na disposição das instituições de apurar.
Os dois lados publicaram os mesmos percentuais sem contestá-los: a Câmara Municipal concentra 77% dos relatos de violência política contra vereadoras, a sub-representação feminina no Legislativo municipal é factual e a Lei 14.192/2021 não vem sendo acionada na prática, já que nenhuma das 12 denúncias formais teve encaminhamento.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O texto adota integralmente o enquadramento do relatório, com vocabulário de desigualdade estrutural ('desigualdades de poder que estruturam a política brasileira', 'representatividade democrática', recorte de raça e gênero) e reproduz sem contraponto a avaliação de que os partidos abandonam as mulheres. As duas fontes ouvidas pertencem à mesma organização autora do estudo. A base factual é sólida (dados do TSE de 2000 a 2024, percentuais do relatório), mas a seleção de vozes e o léxico alinham a matéria ao eixo de justiça social e direitos coletivos.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
Classificada como esquerda, embora o veículo tenha viés editorial direita.
O corpo é a reprodução do texto de agência, portanto carrega o mesmo enquadramento de desigualdade estrutural de gênero e raça, com ênfase em direitos coletivos e crítica à omissão dos partidos e do Estado. O veículo não acrescenta análise, crítica metodológica nem vozes divergentes, então o julgamento se dá pelo conteúdo publicado e não pelo perfil do veículo: o artigo é LEFT no framing, ainda que a decisão editorial de republicar sem comentário sugira neutralidade da redação.
Seis em cada dez vereadoras brancas e oito em cada dez negras relataram já ter sofrido violência política, segundo uma pesquisa que ouviu mais de 70 parlamentares e foi divulgada nesta terça-feira (11) pela Rede A Ponte

Esse cenário reflete as desigualdades de poder que estruturam a política brasileira, destaca o relatório, que traz ainda que 64% das agressões ocorrem durante o mandato.
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Perspectivas omitidas



