Conselho Indígena Missionário vê 54% dos projetos do Congresso contra indígenas
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O levantamento do Conselho Indígena Missionário (Cimi) é lido como prova de que o Congresso Nacional age de forma sistemática contra direitos garantidos pela Constituição aos povos indígenas. Propostas como o marco temporal e a abertura de terras à exploração econômica avançam mais rápido que medidas de saúde e educação, travam demarcações e aumentam o risco de violência contra comunidades vulneráveis, como mostra o caso de uma liderança ameaçada no Vale do Jequitinhonha.
O Conselho Indígena Missionário (Cimi) divulgou em 15 de setembro de 2026 um levantamento segundo o qual 146 dos 272 projetos em tramitação no Congresso Nacional que afetam diretamente os povos indígenas, ou 54%, são desfavoráveis a essas comunidades.
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A cobertura disponível converge nos números do Conselho Indígena Missionário: 146 de 272 projetos classificados como desfavoráveis e 67,6% dos votos analisados contrários aos direitos indígenas.
O Conselho Indígena Missionário lançou a plataforma Congresso Antindígena com a análise de 272 projetos e 110 votações nominais entre 2019 e 2026. Segundo a entidade, 54% das propostas são desfavoráveis aos povos indígenas, a maioria sobre terras, e 67,6% dos votos foram contrários a esses direitos.
O Conselho Indígena Missionário, o Cimi, divulgou na terça-feira, 15 de setembro de 2026, um levantamento segundo o qual 54% dos projetos em tramitação no Congresso Nacional que afetam diretamente os povos indígenas são desfavoráveis a essas comunidades. De 272 propostas analisadas, 146 foram classificadas como negativas. Dessas, 125 tratam de direitos territoriais.
Os dados foram reunidos numa plataforma chamada Congresso Antindígena. Além dos projetos, a entidade sistematizou 110 votações nominais realizadas na Câmara dos Deputados, no Senado e em sessões conjuntas entre janeiro de 2019 e junho de 2026. Foram 98 votações com impacto direto sobre os povos indígenas e 12 com impacto indireto. De um total de 41.391 votos, 27.965, ou 67,6%, foram considerados contrários aos direitos indígenas. Outros 13.081, ou 31,6%, foram favoráveis, e 345 votos, 0,8%, foram tidos como neutros, como as abstenções.
Segundo o secretário executivo do Cimi, Luís Ventura, o comportamento contrário do Congresso cresceu nas duas últimas legislaturas. Desde 2023, afirmou, foram protocoladas 83 proposições contrárias aos direitos indígenas. Ele cita tentativas de instalar o marco temporal, de abrir territórios à exploração econômica por terceiros e de transferir a demarcação do Executivo para o Congresso. Ventura também aponta que as propostas contra direitos territoriais andam mais rápido do que as favoráveis, ligadas sobretudo a saúde e educação. A plataforma seguirá ativa depois das eleições para mostrar quais partidos, deputados e senadores votam contra esses direitos.
A cobertura de centro relatou os números com atribuição constante ao Cimi, em texto mais enxuto. Veículos de esquerda deram mais espaço à leitura da entidade, incluindo a afirmação de que é preciso transformar o atual Congresso, e ao relato de Cleonice Pankararu, liderança de 59 anos da Aldeia Cinta Vermelha de Jundiba, em Araçuaí, Minas Gerais. Ela diz sofrer ameaças por denunciar a exploração de lítio na região, é atendida por um programa de proteção e descreve a perda do rio, da mata e de plantas medicinais. Veículos de direita não publicaram cobertura sobre o levantamento até o momento, e nenhuma das reportagens ouviu parlamentares ou autores das propostas criticadas.
Ainda não se sabe quais partidos e parlamentares concentram os votos contrários, dado que a plataforma promete expor. A cobertura também não detalhou os critérios usados para classificar um projeto ou um voto como desfavorável, nem registrou resposta do Congresso ou das bancadas citadas.
Levantamento foi divulgado pelo Conselho Indígena Missionário. 54% das matérias são desfavoráveis a essas comunidades tradicionais.
Levantamento do Cimi aponta que propostas anti-indígenas avançam mais rápido; plataforma monitora votos de parlamentares contra essas comunidades
