A campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD) trocou o comando do marketing um dia depois do início oficial do período eleitoral. Em nota divulgada na noite de segunda-feira, 17 de agosto de 2026, a assessoria do candidato informou que o publicitário Paulo Vasconcelos se desligou do marketing e que a nova linha de comunicação passa a ser conduzida pelo publicitário Marcos Carvalho. O comunicado foi atribuído a Adriano da Rocha Lima, coordenador-geral da campanha, e não trouxe explicação sobre o motivo da mudança.
Toda a cobertura converge nos mesmos fatos. Vasconcelos estava à frente do marketing desde a pré-campanha e acumula mais de 35 anos de atuação em marketing político, com passagens por campanhas de Fernando Collor, Aécio Neves, Henrique Meirelles e Cláudio Castro. Marcos Carvalho, fundador da agência AM4, já atuava na área digital da candidatura de Caiado e tem trajetória que atravessa campos opostos: participou da campanha de Jair Bolsonaro em 2018, integrou a equipe de redes sociais de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2022 e cuidou da estratégia digital do então pré-candidato Flávio Bolsonaro entre março e maio deste ano.
A cobertura de centro foi a que mais ampliou o contexto. Um veículo desse campo relatou que a presença digital do candidato mudou nas últimas semanas: em vez de divulgar resultados da gestão em Goiás, Caiado passou a atacar adversários na plataforma X, subindo o tom principalmente contra Flávio Bolsonaro, inclusive ao comparar a menção a um curso de pós-graduação não concluído nas páginas do senador à conduta de um médico que declara especialização falsa. Outro veículo de centro registrou que a campanha começou no domingo, 16 de agosto, com carreata no Entorno do Distrito Federal, primeira parada em Águas Lindas de Goiás, e que, a partir daquela data, candidatos passaram a poder pedir voto, fazer comícios, gravar propaganda eleitoral e pagar por anúncios dentro dos limites da legislação. Um terceiro veículo de centro situou a troca no momento em que Caiado aparecia com 4% das intenções de voto no primeiro turno, segundo rodada da Quaest divulgada em 14 de agosto, com 2.004 entrevistados, margem de erro de dois pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral.
As divergências estão na ênfase, não nos fatos. A cobertura de veículos de direita se limitou ao registro seco da nota da assessoria e sublinhou que a campanha, questionada, não informou o motivo da troca, tratando o episódio como movimento administrativo interno. A cobertura de centro, por sua vez, encadeou a substituição com a mudança de tom digital do candidato e com o patamar dele nas pesquisas, sugerindo relação entre desempenho eleitoral e reformulação da comunicação, sem que nenhuma fonte confirme essa causalidade. Até o momento, veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do episódio, de modo que não há enquadramento desse campo para comparar.
O que ainda não se sabe é por que Paulo Vasconcelos deixou o posto: se pediu desligamento, se foi dispensado ou se houve divergência sobre a estratégia da campanha. Nenhum dos dois publicitários se manifestou publicamente, não há informação sobre quem mais deixa ou entra na equipe de comunicação, nem sobre que mudanças concretas a nova linha trará à propaganda eleitoral que começa a ir ao ar. Também segue em aberto se a guinada mais agressiva nas redes é decisão do novo comando ou anterior a ele.