O empresário Wallace do Sacramento, de 50 anos, candidato a deputado federal pelo Republicanos, foi morto a tiros na tarde de segunda-feira, 3 de agosto de 2026, na Rua Vanio de Santana Moreira, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ele havia anunciado a candidatura poucos dias antes e disputaria sua primeira eleição. Levado por um amigo ao Hospital Municipal de São João de Meriti por volta das 15h50, não resistiu aos ferimentos.
A dinâmica do crime é descrita de forma convergente por toda a cobertura. Imagens de câmeras de segurança mostram dois homens em uma motocicleta se aproximando do Hyundai HB20 preto em que Wallace estava com um amigo. Um policial militar que se encontrava nas proximidades reagiu e efetuou sete disparos contra os suspeitos, que revidaram, dando início a um tiroteio. Um dos criminosos fugiu de moto e o outro deixou o local a pé. Nenhum dos dois havia sido identificado até a publicação das reportagens. A ocorrência foi registrada na 64ª Delegacia de Polícia e a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense assumiu a investigação, que trabalha com a hipótese de latrocínio, isto é, roubo seguido de morte.
A cobertura de centro concentrou-se nesse relato factual: a sequência do ataque, os sete disparos do policial, o socorro, o horário de entrada no hospital e a reprodução integral da nota em que o Republicanos do Rio de Janeiro manifestou pesar e disse confiar no trabalho das autoridades competentes. Esses veículos também reproduziram a publicação em que o candidato explicava sua motivação: fortalecer o Poder Legislativo, fiscalizar o poder público e defender os interesses da população.
Veículos de esquerda acrescentaram apuração e um enquadramento distinto. Detalharam que a vítima foi atingida no abdômen ao sair do carro, que sofreu duas paradas cardiorrespiratórias antes de morrer e que a candidatura havia sido homologada em convenção no dia 25 de julho. Sobretudo, sustentaram que a tipificação policial de latrocínio, sozinha, não encerra o debate: a Baixada Fluminense é apontada por essa cobertura como região historicamente marcada por grupos paramilitares e milícias que interferem em disputas eleitorais, controle territorial e relações de poder local, o que, segundo esse enquadramento, exigiria que a hipótese de violência política também fosse investigada.
Veículos de direita não trataram deste caso no material reunido. A cobertura desse campo no período esteve voltada a outro tema eleitoral, um processo disciplinar por quebra de decoro que ameaça a candidatura de um pré-candidato a deputado federal em outro estado, com ênfase em accountability institucional e risco de cassação. Não há, portanto, leitura desse lado sobre o assassinato em São João de Meriti, o que deixa a story com cobertura desequilibrada.
Ainda não se sabe quem são os autores dos disparos, se houve ameaças prévias ao candidato, se a motivação foi de fato patrimonial ou se há qualquer elemento que ligue o ataque à disputa eleitoral. A Polícia Civil não divulgou outras linhas de investigação além da hipótese de latrocínio, nem informou prazo para conclusão do inquérito. Também não há posicionamento do governo do estado do Rio de Janeiro nem da Justiça Eleitoral sobre eventual reforço de proteção a candidatos na região.