Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, anunciou em 1º de julho de 2026 que deixou o cargo de dirigente nacional do Partido Liberal, abrindo mão de um salário mensal de cerca de 38 mil reais. Ocupante do posto desde dezembro de 2025, quando renunciou ao mandato de vereador no Rio de Janeiro, ele comunicou a saída pelas redes sociais e a apresentou como medida para cumprir o prazo de descompatibilização e evitar contestações contra sua futura candidatura na Justiça Eleitoral.
Em sua mensagem, Carlos Bolsonaro afirmou que há diversos entendimentos sobre a necessidade ou não do ato, mas que preferiu abrir mão do cargo para não deixar margem a interpretações. Escreveu que segue trabalhando com responsabilidade e transparência, sem artimanhas políticas nem joguetes de interpretação para ludibriar inocentes.
Veículos de direita destacaram sobretudo o cumprimento do prazo legal e o enquadramento de correção e transparência, reproduzindo a versão do próprio político de que o gesto blinda o projeto de interpretações divergentes dos magistrados. A cobertura de centro, por sua vez, relatou o mesmo fato mas o confrontou com especialistas: advogados de Direito Eleitoral e um professor da Fundação Getulio Vargas explicaram que a legislação não obriga dirigentes partidários a se afastarem para concorrer, já que os partidos são pessoas jurídicas de direito privado e a Lei das Inelegibilidades não prevê esse afastamento. Como contraponto, essas matérias lembraram que o governador Jorginho Mello, presidente do PL em Santa Catarina, e Gilberto Kassab, presidente do PSD, permanecem nos cargos mesmo envolvidos na disputa. A leitura de esquerda enfatizou o valor da remuneração e o fato de o afastamento ser desnecessário, tratando o episódio como vitrine da máquina partidária como fonte de renda para a família Bolsonaro.
O gesto de Carlos foi noticiado em meio a um racha familiar público. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou vídeos que somam 26 minutos relatando episódios de humilhação e desrespeito, com atrito especial envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Dias depois, ela deixou de seguir Carlos e Eduardo Bolsonaro nas redes e também abriu mão da direção do PL Mulher. Flávio respondeu em tom conciliador, pedindo desculpas e convidando Michelle à reaproximação, enquanto Eduardo adotou linha crítica à madrasta.
Outra frente que aparece na cobertura é a disputa judicial em Santa Catarina em torno de uma medalha do Corpo de Bombeiros concedida a Carlos. A deputada Ana Paula Lima e o ex-prefeito Décio Lima, ambos do PT, acionaram a Justiça para suspender a honraria, alegando ausência de contribuição efetiva e motivação política. Em 30 de junho de 2026, o juiz Alexandre Murilo Schramm negou a liminar e manteve a condecoração, destacando a discricionariedade do Executivo estadual, a separação de poderes e ponderando que também a ação da oposição carregava componente ideológico.
O que ainda não se sabe é como esses episódios afetarão o desempenho eleitoral de Carlos Bolsonaro em 2026, se o conflito com Michelle terá desdobramentos, e qual será o desfecho definitivo da ação sobre a medalha, que segue em tramitação e pode ser revista em instâncias superiores.