
Tarcísio demite Delegado Da Cunha e Justiça suspende a demissão horas depois
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, assinou a demissão do delegado Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil paulista, com publicação no Diário Oficial de 3 de setembro de 2026 e efeito imediato. Horas depois, o desembargador Álvaro Torres Júnior, do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu liminar que suspendeu a formalização do ato. O processo disciplinar tem origem em um sequestro ocorrido em julho de 2020, na zona leste da capital, quando o delegado teria mandado reencenar o resgate da vítima para gravar um vídeo divulgado em emissoras e nas redes sociais. Da Cunha é deputado federal pelo União Brasil, disputa a reeleição e permanece formalmente como delegado até uma decisão definitiva.
Esquerda
A demissão só veio depois de anos em que um policial transformado em celebridade digital escapou de punições que a própria cúpula da Polícia Civil já havia recomendado. O Conselho da Polícia Civil aprovou a expulsão de Carlos Alberto da Cunha ao menos duas vezes, em maio e agosto de 2022, e as duas recomendações foram engavetadas ou convertidas em pena menor pelo governo estadual.
Centro
Sem cobertura neste espectro.
Direita
O Tribunal de Justiça de São Paulo travou, em poucas horas, um ato do Executivo estadual que retirava o cargo de um servidor concursado sem que a discussão processual estivesse encerrada. A defesa de Carlos Alberto da Cunha sustenta que documentos foram incorporados aos autos depois do fim da instrução e das alegações finais, e que esse material fundamentou a conclusão pela demissão, o que fere a ampla defesa.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O texto é factual e ancorado em depoimentos formais, mas o enquadramento privilegia a leitura de accountability sobre proteção política: destaca que o delegado 'vinha conseguindo atravessar' processos, que a gestão estadual não acolheu duas recomendações anteriores de demissão e que ele mantinha proximidade e agendas públicas com o governador. A ênfase no uso de recursos e imagem pública da polícia para promoção pessoal e o realce do descompasso entre punição técnica e decisão política aproximam o artigo do eixo LEFT, ainda que sem vocabulário valorativo explícito.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
A apuração é sóbria e cuidadosa com datas e etapas processuais, mas o eixo escolhido é o da garantia individual diante do ato do Executivo: a matéria abre pela liminar, dá espaço à nota da defesa sobre ampla defesa e Estado de Direito, detalha a alegação de que documentos entraram nos autos após as alegações finais e ressalva expressamente que as acusações 'não representam condenações definitivas'. Esse enquadramento de devido processo e controle institucional sobre a punição administrativa posiciona o artigo à direita, sem editorializar de forma aberta.
O governador de São Paulo assinou a demissão do delegado Carlos Alberto da Cunha, deputado federal pelo União Brasil, por ter reencenado o resgate de uma vítima de sequestro para gravar um vídeo em 2020. Horas depois, uma liminar do Tribunal de Justiça suspendeu a medida, e ele segue formalmente na Polícia Civil até o julgamento do mérito.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, assinou a demissão do delegado Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, dos quadros da Polícia Civil paulista. O ato foi publicado no Diário Oficial de quinta-feira, 3 de setembro de 2026, com efeito imediato, na modalidade mais severa prevista para a carreira, a demissão a bem do serviço público. Poucas horas depois, o desembargador Álvaro Torres Júnior, do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu liminar que suspendeu a formalização da medida. Com isso, Da Cunha, hoje deputado federal pelo União Brasil e candidato à reeleição, permanece formalmente como delegado, ainda que afastado das funções policiais para exercer o mandato.
Os dois lados da cobertura descrevem o mesmo episódio de origem. Em julho de 2020, um homem foi levado por criminosos a um chamado tribunal do crime na favela do Nhocuné, na zona leste da capital paulista. Policiais localizaram o cativeiro, prenderam o suspeito e libertaram a vítima. Segundo a Corregedoria da Polícia Civil, o delegado determinou em seguida que a vítima voltasse ao imóvel, na presença do criminoso, para que a ação fosse reencenada diante das câmeras de uma equipe levada por ele. As imagens foram distribuídas a emissoras de televisão e publicadas nas redes sociais do policial, que reúne milhões de seguidores. Da Cunha admitiu a encenação, mas afirmou tratar-se de uma reprodução simulada dos fatos, destinada a instruir a investigação.
Há convergência também sobre o histórico disciplinar. O Conselho da Polícia Civil já havia aprovado ao menos duas propostas de demissão em 2022, uma por atribuir a si a prisão de um suposto chefe de facção em vídeo com dezenas de milhões de visualizações, outra por ataques públicos a superiores. Nenhuma delas foi acolhida pela gestão estadual: em um caso a pena virou suspensão, no outro houve absolvição. Pela legislação paulista, somente o chefe do Executivo estadual pode aplicar a demissão a um delegado, depois de o processo passar pela Corregedoria, pelo Conselho da Polícia Civil, pela Consultoria Jurídica e pelo secretário da Segurança Pública.
A divergência aparece no ângulo escolhido. Veículos de esquerda concentraram a cobertura na responsabilização e na proteção que o policial teria recebido: destacaram que a avaliação dentro do próprio governo era de que ele escaparia de novo, que ele participava de agendas públicas ao lado do governador, que policiais tentaram demovê-lo da encenação sem sucesso e que a gravação precisou ser refeita porque o suspeito aparecia algemado na primeira tentativa. Nesse enquadramento, o ponto central é o uso de viaturas, armamento e da estrutura da polícia para produzir conteúdo pessoal, com uma vítima de sequestro exposta a risco para compor a cena.
Veículos de direita organizaram a cobertura em torno do controle judicial sobre o ato do Executivo. O foco recaiu sobre a liminar, sobre a nota em que a defesa afirma que a decisão reforça a ampla defesa e o Estado de Direito, e sobre a alegação de que elementos teriam sido acrescentados aos autos depois do encerramento da instrução e das alegações finais, servindo de fundamento para a punição. Esse recorte lembra que a decisão é monocrática e provisória, que cabe recurso, que o Órgão Especial do tribunal ainda vai analisar o caso e que as acusações não representam, até aqui, condenações definitivas. No conjunto analisado não houve cobertura de centro: nenhum veículo do bloco factual neutro tratou do episódio.
Os dois lados registram que o desdobramento criminal segue em curso. O Ministério Público acusou o parlamentar de abuso de autoridade e constrangimento ilegal pelo episódio do sequestro, e ele se tornou réu em fevereiro de 2026, sem julgamento marcado. Da Cunha também responde a ação por violência doméstica contra uma ex-companheira, com acusações de agressão e ameaça de morte, igualmente sem julgamento.
O que ainda não se sabe é quando o Órgão Especial do Tribunal de Justiça vai apreciar a liminar e se manterá ou derrubará a suspensão, se o governo estadual vai recorrer da decisão e em que prazo. Também não está esclarecido se as peças questionadas pela defesa de fato entraram nos autos após as alegações finais, qual o peso delas na conclusão do processo administrativo e que efeito a disputa terá sobre a candidatura à reeleição. Procurado, o deputado não havia se manifestado publicamente sobre a demissão até o fechamento das reportagens.
Os dois lados relatam os mesmos fatos básicos: a demissão assinada por Tarcísio de Freitas em 3 de setembro de 2026, a liminar que a suspendeu no mesmo dia, a origem do processo no sequestro de julho de 2020 na zona leste de São Paulo e a admissão, pelo próprio delegado, de que a cena divulgada foi encenada.

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