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A 2ª etapa do Censo Escolar 2025, divulgada pelo Inep em 26 de junho de 2026, mostrou queda expressiva nos índices de reprovação, abandono e atraso escolar no ensino médio da rede pública entre 2022 e 2025. O abandono no 1º ano caiu mais de 40% em um ano, chegando a 2,2%, o menor da série histórica. Especialistas e o MEC associam os ganhos ao Pé-de-Meia, ao novo ensino médio reestruturado e à expansão da educação integral, mas analistas ressalvam que permanência não garante aprendizagem: apenas 7,7% dos concluintes atingem nível adequado em português e matemática.
O Brasil reduziu de forma expressiva os índices de reprovação, abandono e atraso escolar no ensino médio da rede pública, segundo a 2ª etapa do Censo Escolar 2025, divulgada em 26 de junho de 2026 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep. Entre 2022 e 2025, a reprovação caiu 62%, o abandono 61% e o atraso escolar 28%, enquanto a taxa de aprovação subiu 11%. O recorte mais celebrado é o do abandono no 1º ano do ensino médio, considerado a porta de entrada mais crítica: ele recuou de 3,7% em 2024 para 2,2% em 2025, queda de mais de 40% em um único ano e o menor patamar da série histórica iniciada em 2015, quando o índice era de 8,7%.
A cobertura de centro relatou os números com série histórica e contexto, lembrando que o abandono é o primeiro degrau rumo à evasão, fenômeno em que o jovem nem chega a se matricular no ano seguinte e cujo retorno é dificílimo. Essa cobertura listou de forma descritiva as mudanças que podem explicar o recuo: a criação do programa Pé-de-Meia, que paga incentivo financeiro a alunos de baixa renda condicionado à matrícula, à frequência mínima de 80% e à aprovação; a reestruturação do novo ensino médio em julho de 2024, com grade mais flexível e ensino técnico integrado; e o avanço da educação em tempo integral, vista por especialistas como forma de estreitar o vínculo do aluno com a escola.
Veículos de esquerda, representados pela agência pública federal, destacaram o protagonismo do Estado e o caráter redistributivo das políticas. Para essa cobertura, o Pé-de-Meia, que já beneficiou 7,2 milhões de estudantes, é o carro-chefe da recuperação da educação básica e enfrenta diretamente a desigualdade de oportunidades, nas palavras do ministro da Educação, Leonardo Barchini. A mesma cobertura ressaltou o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, associado à elevação do índice de alfabetização na idade certa de 36% em 2021 para 66% em 2025, a expansão da educação integral de 15,1% para 25,8% das matrículas e os mais de R$ 3 bilhões investidos para conectar 100 mil escolas à internet. O presidente do Inep, Manuel Palacios, estimou que, sem a melhora, o país teria quase 250 mil estudantes a menos no ensino médio em 2025.
É no significado desses ganhos que as coberturas divergem. Veículos de esquerda enquadraram os resultados como prova de que o investimento público e as políticas de permanência funcionam, reforçando o papel do Estado garantidor de direitos. Sob um prisma de direita, a leitura enfatizaria a cobrança por eficiência e accountability: manter o jovem matriculado não é o mesmo que garantir que ele aprenda. A própria cobertura de centro trouxe esse contraponto ao registrar que apenas 7,7% dos concluintes do ensino médio atingem nível adequado simultaneamente em português e matemática, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica da ONG Todos Pela Educação. Sob essa ótica, os bilhões aplicados precisam se traduzir em qualidade de aprendizagem, e não apenas em indicadores de fluxo.
As desigualdades regionais também temperam o otimismo. Enquanto a média nacional de abandono no 1º ano caiu para 2,2%, estados do Norte e do Nordeste seguem em níveis preocupantes: o Acre chegou a 6%, quase o triplo da média, e Amapá e Rondônia ficaram acima de 5%. O que ainda não se sabe é se a melhora dos indicadores de permanência se converterá em melhora de aprendizagem nos próximos ciclos. A partir de 2026, o Enem passará a ser adotado também como instrumento para avaliar a qualidade do ensino médio brasileiro, o que deve oferecer um teste mais direto sobre se os avanços de fluxo escolar estão acompanhados de ganho real de conhecimento.
Esquerda e centro reconhecem que os índices de abandono, reprovação e atraso no ensino médio caíram de forma significativa e que programas como o Pé-de-Meia e a educação integral estão associados à melhora da permanência escolar.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Texto da agência pública federal reproduz amplamente a narrativa do MEC, atribuindo os ganhos a programas do governo (Pé-de-Meia, Compromisso Criança Alfabetizada, Escola em Tempo Integral) com falas elogiosas do ministro. Tom valoriza a ação estatal e a redução da desigualdade de oportunidades, enquadramento típico LEFT, ainda que os números sejam factuais.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Cobertura factual e equilibrada: apresenta a queda do abandono com série histórica, lista as possíveis causas (Pé-de-Meia, novo ensino médio, educação integral) de forma descritiva, e contrabalança com a ressalva de que permanência não garante aprendizagem (citando o baixo percentual de proficiência em português e matemática) e com as disparidades regionais. Vocabulário neutro, múltiplas dimensões.
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Taxa de 2,2% é a menor dos últimos 10 anos. Programa de incentivo financeiro (Pé-de-Meia), implementação de mudanças no novo ensino médio e avanço da educação integral ocorreram neste período.
MEC atribui resultados de 2025 ao Pé-de-Meia e ao fortalecimento do Enem
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