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Uma empresa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) vendeu uma fazenda de R$ 18,7 milhões em Pedro II (PI) para a offshore Arraf International, sediada nos Emirados Árabes Unidos e representada por Gustavo Frazão, advogado que atua para empresas do parlamentar e ocupa cargo comissionado em secretaria de Teresina comandada pela mãe do senador. A revelação é da Folha de S.Paulo.
Uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) vendeu uma fazenda avaliada em R$ 18,7 milhões, no município de Pedro II, no Piauí, para uma offshore sediada nos Emirados Árabes Unidos. A propriedade rural, de 2.410 hectares, foi adquirida pela Arraf International em março de 2025, segundo escritura datada de 27 de março. A revelação é da Folha de S.Paulo e ganhou repercussão em diferentes veículos.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta: a offshore aparece representada por Gustavo Frazão, advogado que atua em mais de 20 processos para outra empresa vinculada ao parlamentar. Frazão também ocupa cargo comissionado na Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas da Prefeitura de Teresina, administrada por Eliane Nogueira Lima, mãe do senador. A Arraf International foi criada dois meses antes da transação e tem como endereço uma caixa postal na zona franca do aeroporto de Sharjah, cidade da região metropolitana de Dubai conhecida por ser paraíso fiscal. Pelo tipo societário, sabe-se apenas que a empresa tem dono único, sem que seja possível identificá-lo, já que aquela zona franca é a mais opaca do país.
Veículos de esquerda destacaram o que consideram uma engenharia para blindar patrimônio do escrutínio público. Para essa cobertura, a opacidade do paraíso fiscal, a sobreposição de papéis do advogado, que representa a offshore e ao mesmo tempo é funcionário da prefeitura comandada pela mãe do senador, e a coincidência temporal com supostos repasses do Banco Master compõem um quadro de conflito de interesses. Essa cobertura ressaltou ainda que, segundo dados da Polícia Federal incluídos nas investigações, Ciro Nogueira detém 99% do capital da Fazendas Reunidas Nogueira Lima, contradizendo a versão do senador de que a empresa pertenceria à mãe. A escritura é assinada, em nome da vendedora, por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador, também investigado e descrito pela PF como uma espécie de laranja.
O caso se insere em uma apuração maior. O senador foi alvo de operação da Polícia Federal em 7 de maio, desdobramento da investigação sobre fraudes atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a PF, Vorcaro teria transferido ao menos R$ 6 milhões a Nogueira por meio de empresas em 2024 e 2025, com pagamentos mensais que teriam começado em R$ 300 mil e chegado a R$ 500 mil. Em contrapartida, suspeita a corporação, o senador teria defendido interesses de Vorcaro no Congresso, como a chamada emenda Master, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
Veículos de direita e a própria defesa do senador enfatizaram a negativa. Por meio de sua assessoria, Nogueira afirmou que nem ele nem ninguém da família é proprietário de empresa fora do Brasil e que a fazenda pertence à mãe. O senador também já havia negado ter recebido dinheiro ilícito e ter reproduzido na íntegra a emenda Master a pedido de Vorcaro. Nesse enquadramento, pesa o fato de a reportagem reconhecer que não é possível identificar o beneficiário final da offshore, mantendo parte das acusações no terreno da suspeita.
O que ainda não se sabe é quem é, de fato, o dono da Arraf International, dada a ausência de registro público de sócios na zona franca de Sharjah. Também não há manifestação pública do advogado Gustavo Frazão, procurado em junho sem sucesso, nem detalhamento sobre eventual relação direta entre a venda da fazenda e os recursos atribuídos ao Banco Master. As investigações da PF seguem em curso.
Fazenda de R$ 18,7 milhões (2.410 hectares) vendida a offshore criada dois meses antes; senador investigado por supostos R$ 6 milhões repassados pelo Banco Master em troca da emenda que elevaria o FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Ambos os lados confirmam o fato central: uma empresa ligada a Ciro Nogueira vendeu uma fazenda de R$ 18,7 milhões a uma offshore opaca em paraíso fiscal nos Emirados, representada por um advogado que também atua para o senador.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Texto do ICL/Folha enfatiza a opacidade do paraíso fiscal, a teia de empresas-laranja e os repasses do Banco Master, com vocabulário de accountability voltado a expor o senador; framing crítico ao poder econômico e à elite política, característico de cobertura LEFT, ainda que apoiado em documentos.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Metrópoles reproduz os fatos atribuindo explicitamente à Folha de S.Paulo, em linguagem neutra e descritiva, sem vocabulário valorativo; é cobertura factual de agregação, característica de CENTER.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

(Folhapress) - Uma empresa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) vendeu uma fazenda de R$ 18,7 milhões no município de Pedro 2º (PI) para uma offshore sediada nos Emirados Árabes Unidos administrada por um advogado que trabalha para o parlamentar.

Gustavo Frazão, que atua como advogado de empresa ligada ao senador, também ocupa cargo em secretaria de Teresina comandada pela mãe de Ciro
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