O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do partido, anunciou na terça-feira, 4 de agosto de 2026, que não disputará nenhum cargo eletivo nas eleições deste ano. A decisão interrompe uma sequência de 40 anos de mandatos consecutivos, iniciada em 1986, e retira da disputa um dos nomes mais conhecidos da política mineira a cerca de dois meses do primeiro turno.
O anúncio veio em nota divulgada a filiados e apoiadores. Nela, o parlamentar classifica a escolha como “especialmente difícil”, porque chegava às vésperas da eleição liderando as pesquisas para uma das duas vagas ao Senado por Minas Gerais. Levantamento do instituto Genial/Quaest divulgado em 28 de julho apontava empate técnico entre a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), com 18% a 20% conforme o cenário, e o tucano, com 16%. Ele afirmou que permanecerá na presidência do partido e que a saída da disputa não significa despedida da vida pública nem de eleições futuras.
A cobertura de centro relatou os detalhes do movimento. O parlamentar havia recebido convites para compor chapas ao Senado de pré-candidatos ao governo mineiro, entre eles Mateus Simões, Marcelo Aro, Alexandre Kalil e Gabriel Azevedo, e chegou a avaliar uma candidatura à Presidência, abandonada diante da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Essa cobertura também registrou o efeito prático da desistência: a disputa pelas duas vagas de senador em Minas fica aberta para nomes como Marília Campos, Carlos Viana (PSD), Marcelo Aro (PP) e Domingos Sávio (PL). A direção nacional do partido deve liberar os diretórios estaduais para apoiar a candidatura presidencial que preferirem.
Veículos de esquerda enfatizaram a leitura de que a desistência escancara a crise de relevância do partido que foi o principal adversário do PT durante boa parte deste século. Nessa chave, a pré-candidatura presidencial não decolou porque o nome aparecia entre os mais rejeitados nas sondagens, com percentuais dentro ou próximos da margem de erro, e o discurso de alternativa de centro funcionaria como justificativa para um recuo diante de cenário eleitoral adverso. A meta declarada de eleger uma bancada de ao menos 30 deputados federais foi apresentada como esforço de sobrevivência da legenda, e não como projeto de poder.
Veículos de direita enfatizaram o conteúdo programático do anúncio: o compromisso com um projeto liberal na economia, inclusivo no campo social e responsável na gestão fiscal, a crítica ao que o parlamentar chamou de guerra fratricida entre os extremos e a decisão de preservar capital político para reorganizar a legenda com foco em 2030. Essa cobertura destacou ainda que a federação formada pelo partido havia convidado o tucano a entrar na corrida presidencial depois de Ciro Gomes optar por disputar o governo do Ceará, e que ele condicionou qualquer candidatura à viabilidade eleitoral, que nunca se confirmou nas pesquisas.
Há pontos em aberto. Nenhuma das coberturas informa quem o partido apoiará na disputa presidencial, nem se haverá candidatura própria ao governo de Minas Gerais. Também não há pesquisa posterior ao anúncio medindo para onde migram os 16% que o parlamentar reunia na corrida ao Senado, nem detalhamento de como a legenda pretende financiar e articular a bancada de 30 deputados que diz perseguir. O tamanho real do espaço eleitoral para uma alternativa de centro em 2026 segue sem medição independente.