O senador Cleitinho Azevedo interrompeu a convenção nacional do Republicanos, realizada em Brasília em 4 de agosto de 2026, para pedir ao presidente da legenda, Marcos Pereira, que lhe concedesse a vaga de candidato ao governo de Minas Gerais. O apelo veio um dia depois de o próprio senador gravar um vídeo, ao lado do dirigente, anunciando que desistia da disputa. Diante dos convencionais, Pereira negou o pedido, declarou encerrada a fase deliberativa do encontro e afirmou que aquela convenção não trataria de decisões do estado de Minas nem de qualquer outra unidade da Federação.
A cobertura de centro reconstruiu a cronologia com detalhe. A crise começou em 29 de julho, quando o partido comunicou apoio ao ex-secretário Marcelo Aro para o governo mineiro e informou que o senador não seria candidato. A justificativa da direção foi processual: Cleitinho não compareceu à convenção estadual de 25 de julho nem enviou procuração para oficializar o registro, o que, segundo a legenda, produziu consequências inevitáveis. O senador reagiu, disse publicamente que manteria a candidatura e confirmou a intenção em entrevista coletiva em Divinópolis. Em 3 de agosto, gravou o vídeo de desistência ao lado do presidente do partido, alegando que atravessava um momento difícil por causa da morte do irmão, Matheus Azevedo, vitimado por leucemia poucos dias antes.
Na convenção do dia seguinte, o senador afirmou que estava em situação de vulnerabilidade quando fez a gravação e que a mãe e outro irmão o convenceram a insistir. Pediu a vaga citando o pai, o irmão morto, professores, policiais militares, caminhoneiros e profissionais de enfermagem, e perguntou aos presentes quem nunca voltou atrás ou errou. Relatou ainda que teria recebido uma mensagem religiosa orientando-o a concorrer. Marcos Pereira respondeu que respeita o senador e se solidariza com a perda familiar, mas que a mesma orientação não lhe havia chegado, e recusou o pedido.
Os quatro relatos convergem nos fatos centrais: o pedido feito em plenário, a negativa da direção nacional, a existência do vídeo de desistência na véspera, a ausência na convenção estadual de 25 de julho e o apoio partidário a Marcelo Aro. Divergem, porém, na ênfase. Veículos de direita concentraram a narrativa na instabilidade do senador e na responsabilidade institucional do partido, reproduzindo com destaque a frase do dirigente de que seria irresponsável entregar Minas a alguém que ora pensa uma coisa e cinco minutos depois pensa outra, além de revelar bastidores da negociação: o candidato alternativo chegou a aceitar disputar o Senado na chapa do senador, mas a federação União Progressista condicionou o acerto à indicação do vice, e o senador queria o ex-prefeito de Patos de Minas na vaga. A cobertura de centro deu mais espaço ao contraditório entre as duas falas, tratou o argumento religioso como relato e detalhou as regras internas invocadas pela legenda. Neste conjunto de matérias não há cobertura de veículos de esquerda sobre o episódio, de modo que o ângulo de crítica ao poder de decisão das cúpulas partidárias não aparece na apuração disponível.
Alguns pontos seguem em aberto. Nenhuma das reportagens informa se o senador ainda pode disputar o governo por outra legenda dentro dos prazos eleitorais, se pretende recorrer a instâncias internas do partido ou se apoiará o nome escolhido pela direção. Também não há manifestação do candidato apoiado pela legenda sobre o episódio da convenção, nem definição pública sobre quem ocupará a vaga de vice na chapa mineira.