O Partido Liberal oficializou no domingo, 2 de agosto, em convenção realizada em João Pessoa, a candidatura do senador Efraim Filho ao governo da Paraíba nas eleições de outubro. A chapa aprovada no mesmo evento traz Nayana Pontes como candidata a vice-governadora e o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga na disputa por uma das duas vagas paraibanas no Senado. Participaram do ato o senador Flávio Bolsonaro, candidato do partido à Presidência da República, e o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima.
No dia seguinte, 3 de agosto, outra convenção em João Pessoa desenhou o campo adversário. A federação formada por Solidariedade e PRD anunciou apoio à candidatura do atual governador, Lucas Ribeiro, que assumiu o cargo em 2026 após a renúncia do antecessor e que, até aquele momento, seguia na condição de pré-candidato. A mesma federação declarou apoio às candidaturas de Nabor Wanderley e de João Azevêdo ao Senado. Em 48 horas, portanto, ficaram delineados os dois principais blocos da disputa estadual.
A cobertura de centro relatou os dois movimentos com o mesmo peso e amarrou ambos ao calendário legal: as convenções partidárias vão até 5 de agosto, os registros de candidatura precisam ser protocolados no Tribunal Superior Eleitoral até 15 de agosto, a campanha começa oficialmente em 16 de agosto e a votação ocorre em 4 de outubro, quando os eleitores escolhem presidente, governador, dois senadores por estado, deputados federais e deputados estaduais. Essa cobertura também registrou a trajetória dos dois nomes: Efraim Filho cumpriu quatro mandatos como deputado federal antes de ser eleito senador em 2022, com mais de 617 mil votos, e assumiu a presidência estadual do PL em 2026; Lucas Ribeiro foi vereador e vice-prefeito de Campina Grande antes de chegar ao governo, e pertence a família com mandatos no Senado e na Câmara.
Veículos de direita concentraram o relato na convenção do PL e deram destaque ao conteúdo dos discursos. O candidato ao governo prometeu transferir os presídios do bairro de Mangabeira, na Zona Sul de João Pessoa, para áreas afastadas e destinar o terreno a conjuntos habitacionais, estendendo o compromisso de moradia a regiões como Cariri, Alto Sertão, Brejo, Curimataú e os litorais Sul e Norte. O candidato à Presidência afirmou que o Nordeste será decisivo na eleição, defendeu a geração de emprego como resposta ao endividamento das famílias, prometeu atualizar a tabela do Sistema Único de Saúde e integrar serviços para reduzir filas, e propôs pena mínima de oito anos para roubo de celular, com trabalho obrigatório do condenado para custear a prisão e indenizar a vítima. Nessa cobertura, as propostas aparecem sem exame de viabilidade jurídica ou orçamentária e sem manifestação de adversários.
Até o fechamento desta reportagem não houve registro das convenções por veículos de esquerda, o que deixa a agenda de segurança e a proposta de remoção dos presídios sem o contraponto que costuma vir desse campo. O ponto cego é relevante porque nenhuma das matérias disponíveis ouviu especialistas em política penal, gestores penitenciários ou moradores das áreas afetadas.
Segue em aberto quando e como o governador em exercício formalizará a candidatura, quem completará sua chapa e qual será o desenho final das coligações. Também não há informação sobre custo, prazo e destino dos detentos na proposta de transferência dos presídios, nem sobre o caminho legislativo necessário para elevar a pena de roubo de celular. Nenhuma das coberturas apresentou pesquisa de intenção de voto no estado, e há divergência de dados básicos entre os textos, que informam idades diferentes para o candidato do PL.