A duas semanas do início oficial da campanha eleitoral, marcado para 16 de agosto, o PT confirmou a chapa que disputará o governo da Bahia e as duas vagas do estado no Senado. Em convenção da Federação Brasil da Esperança realizada no sábado, 1º de agosto, no Parque de Exposições de Salvador, o partido homologou a candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues, a recondução de Geraldo Júnior como vice e as candidaturas do senador Jaques Wagner, que busca novo mandato, e do ex-ministro da Casa Civil Rui Costa ao Senado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do ato, ao lado de ministros, parlamentares, prefeitos e militantes.
Dois dias depois, em 3 de agosto, dois levantamentos reforçaram o favoritismo dos nomes petistas. A Paraná Pesquisas, que ouviu 1.400 eleitores em 60 municípios baianos entre 31 de julho e 2 de agosto, registrou 44,6% das intenções de voto para Rui Costa e 35,1% para Jaques Wagner no cenário estimulado, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais. O instituto Futura/Apex, que entrevistou 1.000 pessoas nos dias 24 e 25 de julho, apontou 47,5% para Costa e 36% para Wagner. Em ambos os estudos cada eleitor podia citar até dois nomes, o que faz os percentuais individuais não somarem 100%. Antes disso, em 29 de julho, uma pesquisa Genial/Quaest já havia mostrado os dois na frente.
A cobertura de centro concentrou-se na mecânica do processo: a homologação das candidaturas, o peso do estado como quarto maior colégio eleitoral do país, com 11,3 milhões de eleitores, os números das pesquisas, o registro dos levantamentos no Tribunal Superior Eleitoral e até o custo e o contratante de um dos estudos. Nessa leitura, o dado central é a continuidade de um projeto que governa a Bahia desde 2007 e agora busca o sexto mandato consecutivo.
Veículos de esquerda deram destaque aos mesmos números, mas puxaram a análise para as fragilidades da campanha petista. Enfatizaram que, no cenário espontâneo, 73,7% dos entrevistados não souberam dizer em quem votariam ou preferiram não responder, e que Jaques Wagner reúne a maior rejeição entre os pré-candidatos ao Senado, citado por 34,1% como um nome em que não votariam. Também sublinharam que o PT baiano enfrenta pressão em duas frentes, já que o mesmo levantamento mostra o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, à frente do governador na corrida estadual.
Veículos de direita ancoraram a cobertura em outro eixo: a agenda judicial que cerca a chapa. Registraram que Jaques Wagner é alvo, desde junho, da Operação Compliance Zero, que apura corrupção, lavagem de dinheiro e a suposta relação entre gestores do Banco Master e o senador, e que os três nomes lançados na convenção aparecem em uma lista de presentes de fim de ano encontrada no celular de um ex-sócio do banco. Também recuperaram a privatização da Empresa Baiana de Alimentos, em 2018, sob o governo de Rui Costa, e a exclusividade de 15 anos concedida à operação de crédito consignado que mais tarde migrou para o Master. Nessa cobertura ganharam relevo ainda a fala do presidente de que o Senado está num “baixo nível” e o alerta de que pedidos explícitos de voto antes de 16 de agosto podem caracterizar propaganda eleitoral antecipada, vedada pela Lei das Eleições.
Há pontos que seguem em aberto. A defesa de Jaques Wagner não se manifestou sobre a lista de presentes, embora o senador tenha dito em entrevista de rádio que provará sua inocência, e não há desfecho conhecido para a investigação da Polícia Federal. Rui Costa não apresentou resposta pública sobre a privatização de 2018 e o contrato de consignado. Também não há, até aqui, pesquisa de campo realizada depois da convenção, o que impede medir qualquer efeito do ato sobre as intenções de voto, nem o quadro definitivo de candidaturas registradas para as duas vagas baianas no Senado.