O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, e a direção de seu próprio partido protagonizaram, na última semana de julho, o episódio mais confuso da corrida ao governo de Minas Gerais. Líder isolado nas pesquisas de intenção de voto, o parlamentar nunca formalizou a pré-candidatura ao Palácio Tiradentes. Na quarta-feira, 29 de julho, as executivas estadual e nacional da legenda divulgaram nota conjunta afirmando que a candidatura estava encerrada. Horas depois, em uma praça de Divinópolis, sua cidade natal, o senador convocou entrevista e disse que tentaria, nas palavras dele, de todo jeito convencer o presidente nacional do partido, o deputado Marcos Pereira, a rever a decisão.
A cobertura de centro reconstituiu a sequência com datas precisas. O irmão mais novo do senador, Matheus Augusto Azevedo, morreu de leucemia aos 34 anos em 18 de julho. Uma semana depois, em 25 de julho, o partido realizou sua convenção estadual, que homologou candidaturas à Assembleia, à Câmara e ao Senado, mas ficou sem nome ao governo: o senador faltou, no mesmo dia da missa de sétimo dia do irmão. Em 28 de julho, levantamento do instituto Genial/Quaest mostrou o parlamentar com 35% das intenções de voto, 23 pontos à frente do segundo colocado, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, com 12%. No dia seguinte veio a nota do partido, com a frase que sintetizou o argumento da cúpula: a candidatura nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.
Há convergência também sobre o que estava em jogo além de Minas. O impasse travava a formação de alianças no segundo maior colégio eleitoral do país e afetava o palanque do presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro, que contava com o nome mineiro para se fortalecer no estado. Enquanto o partido considerava encerrada a candidatura, passou a discutir como alternativa o ex-secretário estadual Marcelo Aro, movimento que romperia um acordo anterior com o grupo do governador em exercício, Mateus Simões. O prazo legal para convenções e definição de coligações termina em 5 de agosto.
As ênfases divergem. Veículos de direita deram peso maior à versão institucional da legenda, destacando meses de indefinição, sucessivos recuos e o custo imposto a candidatos a deputado e a partidos aliados, além do prejuízo para a construção de uma aliança de centro e de direita no estado. A cobertura de centro abriu mais espaço à versão pessoal do senador, que atribuiu a demora ao luto, negou ter negociado a desistência com PP, União Brasil e PL, e afirmou que manteria a chapa com o ex-prefeito Luís Eduardo Falcão como vice. Veículos de esquerda praticamente não cobriram o episódio, que circulou concentrado na imprensa de centro e de direita; nesse silêncio ficou de fora o outro lado do tabuleiro mineiro, em que o campo governista disputa o estado com o deputado Patrus Ananias, citado apenas de passagem em uma das matérias.
No sábado, 1º de agosto, a decisão começou a ser revertida. O presidente nacional do partido avisou aliados que a candidatura deve ser oficializada na segunda-feira, 3 de agosto, com Falcão como vice e com o ex-secretário Marcelo Aro deslocado para a disputa ao Senado, ao lado do deputado Domingos Sávio. Essa composição, porém, não é unanimidade dentro do grupo do senador, e o ex-secretário havia rompido com o governo estadual poucos dias antes.
O que ainda não se sabe é se a oficialização se confirmará dentro do prazo de 5 de agosto, se o ex-secretário aceitará trocar o governo pelo Senado, se PL e Republicanos fecharão a coligação nacional que estava em negociação e como o eleitorado mineiro reagirá a uma semana de idas e vindas em torno do nome mais bem posicionado nas pesquisas.