O MDB decidiu, na convenção nacional realizada em 27 de julho de 2026, não lançar nem apoiar candidatos à Presidência e à Vice-Presidência da República nas eleições de outubro. O partido também não firmará coligação em nível nacional e liberou os diretórios estaduais para definir seus apoios conforme a realidade política de cada estado. Com isso, a legenda ficará neutra na corrida pelo Palácio do Planalto e concentrará esforços nas disputas estaduais e nas cadeiras do Congresso.
O anúncio foi feito pelo presidente do partido, o deputado federal Baleia Rossi. Segundo ele, a estratégia busca unir e pacificar a legenda, preservando a autonomia dos diretórios estaduais para formar alianças. Baleia afirmou que o país vive um momento de muita radicalização política e que o MDB tem a característica de manter uma posição equilibrada nas grandes discussões nacionais. A aposta declarada é fortalecer a representação no Congresso para ampliar a influência na tramitação de reformas e projetos de interesse nacional.
A cobertura de centro relatou os números da estratégia com foco factual: o MDB terá 10 candidatos a governador, 6 a vice-governador e 20 ao Senado, com a meta de eleger cerca de 50 deputados federais, segundo o deputado Hildo Rocha. Dirigentes também mencionaram o objetivo de voltar a disputar a Presidência em 2030, com Baleia Rossi como possível nome.
Veículos de direita enfatizaram a divisão interna do partido e o fato de a legenda ter sido cortejada pelo presidente Lula, pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo ex-governador Ronaldo Caiado. Essa cobertura recuperou o histórico recente de fracassos eleitorais: em 2022, a candidatura de Simone Tebet obteve 4,16% dos votos válidos e terminou em terceiro lugar; em 2018, Henrique Meirelles fez 1,2% e ficou em sétimo. O ângulo destaca a neutralidade como cálculo para manter influência sobre qualquer governo eleito.
Veículos de esquerda, que até o momento não cobriram diretamente o caso, tenderiam a ler a neutralidade como preservação do poder de barganha do centrão sobre reformas e cargos, priorizando a força parlamentar em detrimento de um compromisso com um projeto de país. Esse enquadramento realçaria o peso do MDB na formação de futuras maiorias, evidenciado pelo próprio interesse do governo em atrair a sigla.
O que ainda não se sabe é como cada diretório estadual definirá seus apoios locais, se a neutralidade nacional se traduzirá em respaldo informal a um dos polos e se a meta de bancada e o projeto de retomar a disputa presidencial em 2030 se confirmarão. A convenção fixou a estratégia, mas os desdobramentos dependem das escolhas regionais nos próximos meses.