
Tarcísio e Tereza Cristina pressionam Senado a agir na crise do STF
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cobrou em ato político na avenida Paulista, em 7 de setembro, uma resposta institucional do Supremo Tribunal Federal às revelações que ligam o ministro Alexandre de Moraes ao banqueiro Daniel Vorcaro, e disse que o Senado precisa agir. Um dia antes, a líder do Progressistas no Senado, Tereza Cristina, afirmou que a Casa tem responsabilidades constitucionais e não pode se omitir. O Senado é o órgão competente para julgar ministros do Supremo por crime de responsabilidade, e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, contabiliza 109 solicitações de impeachment contra os dez integrantes do tribunal.
Esquerda
Sem cobertura neste espectro.
Centro
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cobrou em ato político na avenida Paulista, em 7 de setembro, uma resposta institucional do Supremo Tribunal Federal às revelações que ligam o ministro Alexandre de Moraes ao banqueiro Daniel Vorcaro, e disse que o Senado precisa agir.
Direita
As revelações da Polícia Federal sobre diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro exigem uma resposta institucional, e o Senado tem competência constitucional para dá-la.
2 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Relato factual do ato na avenida Paulista, com aspas literais do governador e registro de que ele não pediu diretamente o impeachment do ministro. O texto acrescenta contraponto relevante ao apontar que Daniel Vorcaro também tem ligações com Flávio Bolsonaro, no financiamento de um filme, e reproduz a fala do presidente do PL sem endossá-la. Vocabulário neutro e ausência de adjetivação valorativa sustentam o perfil de centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O texto reproduz a declaração da senadora Tereza Cristina com fidelidade e acrescenta contexto institucional relevante (109 pedidos de impeachment no Congresso, competência do Senado). O enquadramento, porém, é de accountability contra o Supremo sem contraditório: cita 'suspeitas gravíssimas' e a população 'estarrecida' sem qualquer voz de defesa do ministro, e a seleção de matérias relacionadas reforça críticas ao tribunal. Sinais de enquadramento à direita, moderados pelo tom reportorial de agência.
Perspectivas omitidas
Em dois dias, um governador em campanha e a líder do Progressistas no Senado disseram quase a mesma frase: a Casa não pode se omitir diante da crise no Supremo Tribunal Federal. Por trás da cobrança estão 109 pedidos de impeachment parados no Congresso e a competência constitucional do Senado para julgar ministros da corte.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou em ato político na avenida Paulista, em 7 de setembro, que o Supremo Tribunal Federal precisa se unir para apurar as revelações sobre conversas que ligam o ministro Alexandre de Moraes ao banqueiro Daniel Vorcaro. Ao lado de Flávio Bolsonaro, o governador disse que uma resposta institucional é necessária e que está na hora de o tribunal não se dividir para se defender. Candidato à reeleição, pediu votos a senadores de direita e declarou que o Senado precisa agir e se impor. Não chegou a pedir diretamente o impeachment do ministro: falou que não pode haver a ruína da omissão e que ninguém está acima da lei e da Constituição.
A cobrança não é isolada. Um dia antes, em 6 de setembro, a líder do Progressistas no Senado, senadora Tereza Cristina, escreveu em publicação nas redes sociais que o Senado Federal tem responsabilidades constitucionais e não pode se omitir. Segundo ela, a ampla defesa deve ser garantida a todos, mas não é possível ignorar suspeitas gravíssimas, e a população brasileira está estarrecida com os fatos que envolvem hoje o Supremo. A senadora não citou nominalmente as revelações da Polícia Federal sobre os diálogos entre o ministro e o ex-banqueiro.
Os dois relatos convergem no ponto institucional. O Senado é a casa legislativa com competência constitucional para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade, e é por isso que a pressão se concentra ali. Depois da revelação da Polícia Federal, senadores protocolaram novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e passaram a pressionar a presidência da Casa pela abertura dos processos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, contabiliza 109 solicitações de impeachment em tramitação no Congresso contra os dez ministros do tribunal.
A divergência de enquadramento aparece no entorno do episódio. Veículos de direita concentraram a cobertura na declaração da senadora e no argumento de que nenhuma autoridade está acima da lei, apresentando a inércia do Legislativo como risco à confiança nas instituições e deixando de fora qualquer manifestação do tribunal ou do ministro citado. A cobertura de centro relatou a mesma cobrança, mas dentro do ato eleitoral em que ela foi feita, registrando que Daniel Vorcaro também tem ligação com Flávio Bolsonaro, com quem acertou o financiamento de um filme, e que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, discursou no trio afirmando que Jair Bolsonaro ficaria preso mais dez anos se Flávio não fosse eleito. Nenhum veículo de esquerda integra o conjunto de reportagens reunido nesta cobertura; pelo enquadramento habitual desse campo, a ênfase recairia sobre o uso do pedido de impeachment como instrumento de pressão política sobre a corte, leitura que não aparece nas matérias analisadas.
O que ainda não se sabe é o essencial. Nenhuma das matérias descreve o conteúdo específico dos diálogos revelados pela Polícia Federal, nem informa qual é a versão do ministro Alexandre de Moraes ou do Supremo sobre eles. Também não há resposta da presidência do Senado ao pedido feito no palanque, nem indicação de prazo ou de decisão sobre a abertura de algum dos 109 processos de impeachment que se acumulam no Congresso.
As coberturas concordam que o Senado é o órgão constitucionalmente competente para julgar ministros do Supremo Tribunal Federal por crime de responsabilidade, que há pressão crescente de parlamentares e de lideranças de direita por uma resposta institucional às revelações sobre Alexandre de Moraes, e que nem Tarcísio de Freitas nem Tereza Cristina pediram o impeachment do ministro de forma direta.

"Temos de buscar a verdade. Sempre com independência, transparência e respeito à Constituição", escreveu a senadora em publicação

Governador defende que STF se una para apurar conteúdo de conversas de Moraes



