As pesquisas divulgadas na última semana de julho de 2026 recolocaram a corrida presidencial no centro do debate político brasileiro, com um mapa fragmentado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que tenta a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, seu principal adversário até aqui. Entre segunda-feira, 27, e quinta-feira, 30, o instituto Quaest publicou levantamentos estaduais em dez unidades da Federação, enquanto uma pesquisa nacional do instituto AtlasIntel, feita em parceria com uma agência internacional de notícias econômicas, testou seis cenários de segundo turno.
Os números convergem em um ponto: não há favorito consolidado. Nos estados pesquisados, o presidente lidera com folga na Bahia, com 52%, em Pernambuco, com 55%, no Ceará, com 55%, e no Pará, com 38%. O senador do PL tem seu melhor desempenho no Paraná, onde marca 42% contra 24% do presidente. Em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Rio Grande do Sul, os dois aparecem tecnicamente empatados. Em Goiás, o ex-governador Ronaldo Caiado, do PSD, aparece numericamente à frente, com 33%. Na pesquisa nacional, que ouviu 5.021 eleitores entre 22 e 27 de julho, o presidente lidera todos os cenários de segundo turno testados, com 49,2% contra 42,9% do senador, e vantagens semelhantes diante de Caiado, de Romeu Zema, de Renan Santos, de Michelle Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um levantamento que agregou as pesquisas estaduais mais recentes apontou o presidente à frente em doze estados e o senador em sete, com cinco unidades ainda indefinidas.
A cobertura de centro concentrou-se na descrição metodológica: margens de erro entre dois e três pontos percentuais, registro na Justiça Eleitoral, tamanho das amostras e a explicação didática do que é empate técnico. Essas reportagens também detalharam as disputas estaduais pelos governos, em que aparecem nomes como ACM Neto e Jerônimo Rodrigues na Bahia, Ciro Gomes e Elmano de Freitas no Ceará, Sergio Moro no Paraná, Eduardo Paes no Rio de Janeiro e Tarcísio de Freitas em São Paulo. Nessas matérias, o alto índice de indecisos, que varia de 8% em Pernambuco a 19% no Rio Grande do Sul, aparece como principal ressalva à leitura dos resultados.
Veículos de direita enfatizaram os pontos do quadro que sustentam a competitividade do campo conservador: a vantagem expressiva do senador do PL no Paraná, o favoritismo de pré-candidatos de centro-direita em governos estaduais, a aprovação de 87% registrada pelo ex-governador de Goiás e o desempenho do governador paulista sobre o ex-ministro da Fazenda. Um desses textos fechou a matéria lembrando que um levantamento anterior do mesmo instituto nacional havia sido suspenso pelo Tribunal Superior Eleitoral, nota que funciona como ressalva à credibilidade dos números apresentados.
A cobertura de esquerda está ausente deste conjunto de matérias. A leitura provável desse campo enfatizaria a liderança do presidente em todos os cenários nacionais de segundo turno, a força eleitoral no Nordeste e no Norte, a relação entre aprovação de governos estaduais aliados e desempenho nas urnas, e questionaria o recrutamento digital usado na pesquisa nacional, método que tende a sub-representar eleitores de baixa renda.
Parte da cobertura tratou ainda das regras do pleito. Reportagens de serviço explicaram que a biometria estará disponível em todas as seções eleitorais, mas não é obrigatória para votar: com título regular, o eleitor vota apresentando documento de identificação. O prazo para o cadastro biométrico se encerrou em maio, e o TSE orienta quem ficou de fora a procurar a Justiça Eleitoral depois da eleição.
Ainda não se sabe quem serão, de fato, os candidatos. O prazo para confirmação de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral vai até 15 de agosto, e nomes que lideram pesquisas estaduais, como o senador Cleitinho Azevedo em Minas Gerais, sequer confirmaram se vão disputar. Dois estados ficaram fora do levantamento agregado por falta de pesquisas registradas com íntegra disponível, e nenhum dos levantamentos capta ainda o efeito de desistências, alianças partidárias e do início oficial da propaganda eleitoral.