O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, protagonizou nos últimos dias de julho de 2026 um impasse sobre sua candidatura ao governo de Minas Gerais. Líder isolado nas pesquisas de intenção de voto, ele passou meses sem confirmar se disputaria o cargo e só anunciou a decisão após uma sequência de idas e vindas que envolveu o próprio partido, o PL de Flávio Bolsonaro e a articulação de palanques para a eleição presidencial.
A cobertura de centro relatou a cronologia dos fatos. No dia 18 de julho, o irmão mais novo do senador, Matheus Azevedo, morreu de leucemia aos 34 anos. Uma semana depois, no sábado 25, o Republicanos realizou a convenção estadual sem a presença de Cleitinho, que vivia o período de luto. A direção partidária esperava lançá-lo governador no evento, mas a ausência foi lida como um fato político com consequências. Na terça-feira 28, após uma pesquisa Genial/Quaest confirmar sua liderança com 35% das intenções de voto, 23 pontos à frente do segundo colocado, o senador publicou nas redes um vídeo produzido com inteligência artificial em que versões recriadas do pai e do irmão, ambos mortos, o incentivam a seguir na missão. No dia seguinte, o comando nacional do Republicanos afirmou que ele não seria candidato, mas, horas depois, em coletiva em Divinópolis, Cleitinho confirmou a candidatura e pediu desculpas ao partido: a voz do povo é a voz de Deus, eu serei candidato.
Veículos de direita enfatizaram a liderança do senador nas pesquisas e seu apelo popular e religioso, apresentando-o como um nome competitivo e independente da cúpula partidária, peça central para garantir palanque ao presidenciável Flávio Bolsonaro em um estado estratégico. Veículos de esquerda tenderiam a destacar a instabilidade da articulação, o personalismo da decisão e o uso eticamente sensível de imagens de parentes mortos recriados por inteligência artificial como instrumento de campanha, além da fragilidade de um projeto coletivo submetido a hesitações individuais.
Todos os relatos convergem em pontos centrais: Cleitinho lidera as pesquisas, hesitou por meses, enfrenta resistência da direção nacional do partido e está no centro de negociações que definem o palanque da direita em Minas. A legislação eleitoral impede que ele troque de legenda a esta altura, de modo que uma eventual candidatura só pode ocorrer pelo Republicanos, ao qual estava filiado no prazo-limite de 4 de abril.
O que ainda não se sabe é se o Republicanos formalizará o registro do senador apesar da recusa da direção nacional, se o PL apoiará Cleitinho ou migrará para o ex-deputado Marcelo Aro, e se Aro, que evitou se pronunciar, entrará de fato na disputa pelo governo. O prazo para a definição de coligações e convenções termina em 5 de agosto.