Romeu Zema abre campanha ao Planalto atacando o STF sob cobrança por dívida de Minas
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O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, candidato do Partido Novo à Presidência, iniciou a campanha eleitoral no domingo, 16 de agosto, em Montes Claros, no norte mineiro. Participou de missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José e discursou no Mercado Municipal, onde apresentou segurança pública, combate à corrupção e corte de gastos como prioridades. Prometeu construir um presídio de segurança máxima no Norte do país para líderes de facções e criticou ministros do Supremo Tribunal Federal, citando processo movido por Gilmar Mendes e o contrato de R$ 129 milhões atribuído ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes com o Banco Master. Na mesma noite, no primeiro debate entre candidatos ao governo de Minas, Cleitinho Azevedo afirmou que Zema deveria ter negociado a dívida do estado antes de disputar o Planalto.
Veículos de esquerda leram a estreia de Romeu Zema como uma campanha construída sobre punição e confronto institucional. O candidato do Partido Novo escolheu justamente a região de maior votação de Lula em Minas Gerais para prometer um presídio de segurança máxima e responsabilizar a Justiça pela insegurança, deslocando o debate de causas sociais para encarceramento.
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5 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: viés de direita.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Todos os lados relatam os mesmos fatos: Romeu Zema abriu a campanha presidencial em Montes Claros no dia 16 de agosto, colocou a segurança pública como eixo central, prometeu um presídio para líderes de facções e disse que chegará ao segundo turno defendendo a união da direita contra o PT, com referência à eleição no Chile.
O candidato do Partido Novo à Presidência abriu a campanha no norte de Minas Gerais colocando a segurança pública no centro e mirando o Supremo Tribunal Federal. No mesmo dia, o primeiro debate ao governo mineiro cobrou dele a negociação da dívida estadual. Veja como esquerda, centro e direita enquadraram a estreia.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, candidato do Partido Novo à Presidência da República, abriu a campanha eleitoral no domingo, 16 de agosto, em Montes Claros, no norte do estado. O dia começou com uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José, seguiu com uma caminhada até o Mercado Municipal e terminou com um almoço ao lado de candidatos do Partido Novo a deputado estadual e federal. Nem o governador Mateus Simões nem o senador Eduardo Girão, indicado para a vice na chapa, participaram da agenda de estreia. As atividades na cidade haviam começado na sexta-feira, 14 de agosto, com um encontro entre o candidato e representantes do agronegócio.
Toda a cobertura converge sobre o conteúdo do discurso. Zema colocou a segurança pública como eixo central da candidatura, defendeu endurecer a legislação penal e prometeu construir no Norte do país uma unidade prisional de segurança máxima para abrigar líderes de facções criminosas. Disse que pretende erguer mais presídios em outras regiões e ampliar o atendimento a mulheres com delegacias especializadas. Atribuiu a insegurança à atuação da Justiça, com a frase de que a Polícia Militar prende e a Justiça solta. Em seguida, atacou o que chamou de casta nova de intocáveis em Brasília, citou o processo movido contra ele pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e fez referência, sem nomear Alexandre de Moraes, a um contrato de R$ 129 milhões atribuído ao escritório da esposa do ministro com o Banco Master. Também afirmou que chegará ao segundo turno e defendeu a união dos candidatos de direita contra o PT, citando a eleição no Chile como modelo.
As divergências aparecem na moldura, não nos fatos. Veículos de esquerda enfatizaram o caráter punitivista da proposta prisional e a provocação política embutida na escolha do palco, já que Montes Claros fica na região de maior votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais, e trataram o discurso como ataque ao Supremo Tribunal Federal vindo de quem já responde a processo movido por um de seus ministros. A cobertura de centro relatou a agenda com o contexto processual completo: explicou que a ação de Gilmar Mendes trata de acusação de calúnia, originada em alegação anterior do candidato sobre uma viagem de ministros no avião de Daniel Vorcaro, nome central do escândalo do Banco Master, e registrou a ausência do governador e do candidato a vice na estreia. Veículos de direita enfatizaram a trajetória empresarial do candidato e a promessa de atrair investimentos, deram espaço às críticas dele à política externa do governo federal, pelo atrito com os Estados Unidos e pela aproximação com Cuba, Irã e Venezuela, e omitiram tanto o processo judicial quanto a ausência de aliados no lançamento.
Na mesma noite, o primeiro debate televisivo entre os candidatos ao governo de Minas Gerais transformou a campanha nacional de Zema em munição estadual. O candidato do Republicanos, Cleitinho Azevedo, afirmou que o ex-governador deveria ter priorizado a negociação da dívida do estado com a União, no âmbito do Propag, em vez de se dedicar à disputa presidencial, e sustentou que um acordo firmado ainda durante a gestão anterior, independentemente de ideologia, teria evitado a situação atual. O mesmo candidato ponderou que a dívida não foi criada pelas gestões de Zema ou de Mateus Simões e que nenhum governador conseguirá quitá-la em quatro anos. Defendeu revisão de contratos, corte de gastos, fiscalização de sonegação e revisão de incentivos fiscais com contrapartidas das empresas beneficiadas. O debate havia sido adiado por indefinições sobre as candidaturas no estado.
O que ainda não se sabe é substancial. Nenhuma cobertura traz resposta do Supremo Tribunal Federal, de Gilmar Mendes ou de Alexandre de Moraes às acusações feitas no comício, nem checagem independente do contrato de R$ 129 milhões mencionado. Não há detalhamento de custo, prazo, localização, base legal ou competência federal para o presídio prometido, nem estimativa de quantas vagas ele teria. Também não foi informado o valor atual da dívida de Minas Gerais com a União, nem qual seria a proposta de Zema para o Propag, já que ele não respondeu à cobrança feita no debate. Por fim, não se sabe se a ausência do governador e do candidato a vice na abertura da campanha decorre de agenda ou de divergência política, porque nenhuma das partes se manifestou.
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