
Igreja da Lagoinha Belvedere movimentou R$ 57 milhões, aponta relatório do Coaf
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Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 14 de setembro apontam movimentação atípica de cerca de R$ 57 milhões na conta da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, unidade presidida pelo pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material integra a investigação da Polícia Federal sobre fraudes no banco. A Lagoinha Global afirma que cada unidade tem gestão financeira própria e diz não ter tido conhecimento dos valores.
Esquerda
Para a cobertura de esquerda, o caso expõe como uma denominação religiosa de grande porte funcionou como ponto de passagem de dinheiro do círculo do Banco Master sem qualquer controle efetivo. Uma conta com faturamento declarado inferior a R$ 1 milhão ao ano movimentou sessenta vezes esse valor em doze meses, com um investigado preso na condição de principal operador, e a alegação de autonomia das unidades locais aparece menos como explicação do que como delimitação conveniente de responsabilidade.
Centro
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 14 de setembro apontam movimentação atípica de cerca de R$ 57 milhões na conta da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, unidade presidida pelo pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Direita
Sem cobertura neste espectro.
Veículos com viés à esquerda
Os dados são os mesmos do relatório do Coaf, mas o tratamento é editorializado: expressões como valor que assume contorno ainda mais grave e retrato direto da sobreposição imprimem juízo ao dado bruto, e o fecho repete que a conta movimentou 60 vezes o faturamento declarado com um investigado preso como principal operador. O texto enquadra o caso como falha de controle e de transparência de instituição religiosa com poder econômico, ângulo típico de cobertura à esquerda, e ainda inclui apelo interno de financiamento com marcação explícita de campo político.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
Texto factual e documental: cita valores, datas, documentos do Coaf, mensagens do celular de Daniel Vorcaro e reproduz por extenso a nota do pastor André Valadão isentando a Lagoinha Global. O trecho final, que aproxima a igreja do deputado Nikolas Ferreira, é apresentado com atribuição a reportagens anteriores e sem adjetivação. Vocabulário sem carga valorativa, o que sustenta o enquadramento de centro mesmo com o tema sendo escândalo financeiro.
Veículos com viés à direita
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Documentos do Coaf tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal mostram que a conta da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, movimentou cerca de R$ 57 milhões em doze meses, sessenta vezes o faturamento declarado ao banco. A unidade era presidida por Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, preso em março na investigação da Polícia Federal.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal em 14 de setembro, apontam movimentação atípica de cerca de R$ 57 milhões na conta da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte. A unidade era presidida pelo pastor e empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os documentos integram a investigação da Polícia Federal sobre fraudes no banco e vieram a público depois que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou o levantamento do sigilo.
Os números são convergentes nas duas frentes de cobertura. A conta da igreja registrou cerca de R$ 28,5 milhões em entradas e R$ 28,6 milhões em saídas entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2025. No cadastro do Banco do Brasil, o faturamento anual presumido da instituição era de R$ 950 mil. Foi essa distância entre o declarado e o movimentado que levou o banco a comunicar as operações ao Coaf. Zettel, que aparece nos documentos como procurador ou representante da igreja, foi o principal doador, com R$ 19,2 milhões em 26 operações, cerca de dois terços de tudo o que entrou na conta no período. Familiares e empresas ligadas a Daniel Vorcaro repassaram ao menos R$ 2,02 milhões, entre eles o pai do banqueiro, Henrique Moura Vorcaro, com R$ 120 mil, a ex-mulher Fabíola de Almeida Macedo Vorcaro, com R$ 101,6 mil, a HV Empreendimentos e Participações, com R$ 700 mil, e a empresa hoje chamada Ingleses Holding, com R$ 1 milhão. Grande parte das saídas foi para empresas de construção, engenharia, estruturas metálicas e produção de eventos.
A cobertura de centro relatou o lado documental e cronológico do caso, com ênfase nas mensagens periciadas no celular de Vorcaro. Em julho de 2025, ao tratar de um pagamento pendente, Zettel escreveu ao banqueiro que a igreja estava havia um mês sem repassar e que a obra iria parar. No mês seguinte, enviou planilha com uma série de pendências, entre elas R$ 2 milhões destinados à Lagoinha Belvedere. Essa mesma cobertura registra que a Polícia Federal apura se empresas vinculadas ao pastor, como a Super Empreendimentos e a Moriah Asset, serviram de etapa de passagem para disfarçar a origem de recursos, e acrescenta um desdobramento político: o arquiteto responsável pelo projeto do templo é amigo do deputado federal Nikolas Ferreira, que em 2025 pediu a Vorcaro que intercedesse em favor de um ativo minerário sob gestão de seu advogado.
Veículos de esquerda destacaram a desproporção entre o movimento financeiro e o porte declarado da instituição, tratando o caso como falha estrutural de controle sobre o dinheiro que circula em entidades religiosas. Nessa leitura, o fato de o alerta ter partido do sistema bancário, e não de qualquer instância interna da denominação, e a presença entre os doadores de nomes presos na investigação são apresentados como retrato da sobreposição entre o escândalo do Banco Master e as finanças do templo. Veículos de direita não publicaram cobertura própria do caso até o momento, e a leitura provável desse campo, a partir dos mesmos fatos, concentra a responsabilidade em condutas individuais identificadas, aponta que o mecanismo formal de detecção funcionou e lembra que parte relevante das saídas é compatível com a obra do templo, concluída em 2025.
Os dois lados reproduzem a resposta da instituição. Em nota e em pronunciamento nas redes sociais, o pastor André Valadão, responsável pela Lagoinha Global, afirmou que cada igreja tem estrutura jurídica, administrativa e financeira própria, que a presidência local da Belvedere era exercida por Zettel e que a estrutura central não administra contas de unidades locais. Segundo ele, a informação recebida era de que havia investimentos, melhorias e reformas em andamento, sem conhecimento da dimensão dos valores. Valadão declarou ainda que a instituição não compactua com ilegalidade e não tem interesse em impedir que os fatos sejam esclarecidos.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há, nos documentos divulgados, imputação formal contra a igreja como pessoa jurídica, e o relatório do Coaf aponta movimentação atípica, não crime comprovado. A defesa de Zettel não foi localizada, e nem os familiares citados nas transferências se manifestaram.
As duas frentes de cobertura partem do mesmo relatório do Coaf e não divergem nos números: R$ 57 milhões de movimentação atípica na conta da Lagoinha Belvedere, faturamento declarado de R$ 950 mil ao ano, R$ 19,2 milhões aportados por Fabiano Zettel e repasses de familiares e empresas de Daniel Vorcaro. Ambas reproduzem a alegação da Lagoinha Global de que não administra as contas das unidades locais.

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Perspectivas omitidas



