A Coligação Brasil Pronto pra Mais, que sustenta a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, ajuizou no Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, uma ação de investigação judicial eleitoral contra o candidato a presidente Flávio Bolsonaro, do PL, e o vice dele, Alfredo Gaspar. A ação foi apresentada à Corregedoria-Geral Eleitoral e pede a declaração de inelegibilidade de Flávio por oito anos, além da cassação imediata do registro ou do eventual diploma da chapa.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, relatando que o pedido aponta abuso de poder político e econômico. Segundo a coligação, Flávio teria extraído proveito eleitoral direto do controle territorial armado imposto por milícias e facções criminosas no estado do Rio de Janeiro. O texto da ação afirma que a votação expressiva do candidato no estado se concentrou nas zonas em que o próprio Tribunal Regional Eleitoral reconheceu coação ostensiva sobre os eleitores.
Os dados apresentados pela coligação indicam que Flávio venceu em 268 dos 311 locais de votação situados em áreas de milícia, o equivalente a 86% do total. Dessas zonas teria saído cerca de 89% de toda a vantagem de votos dele na cidade do Rio de Janeiro. Para a coligação de Lula, o resultado decorre de uma ampla rede de articulação política estruturada pelo próprio candidato, com nomeações, verbas públicas e alianças formais com figuras centrais ligadas a organizações criminosas.
A campanha de Flávio Bolsonaro respondeu em nota sem rebater ponto a ponto a acusação. Afirmou que ele é o único candidato que declarou que vai classificar o Comando Vermelho, o Primeiro Comando da Capital e milicianos como narcoterroristas, se eleito, e retomar territórios dominados pelo crime organizado. A nota também destacou que Lula teve 72,6% dos votos em presídios e afirmou que o petista venceu nas 10 cidades com mais mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
A cobertura disponível é factual e atribui as acusações à coligação, tratando o benefício como suposto. Não há, por ora, leitura de outros veículos que permita comparar como diferentes lados do espectro enquadram o caso.
Ainda não se sabe qual metodologia a coligação usou para classificar os 311 locais como áreas de milícia, nem quais nomeações e alianças específicas são atribuídas ao candidato. Também não há informação sobre o prazo para a Corregedoria-Geral Eleitoral analisar o pedido nem sobre uma eventual manifestação formal da defesa de Flávio no processo.