Com 108 mulheres eleitas, Câmara dos Deputados terá maior bancada feminina da história
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A Câmara dos Deputados terá, a partir de 1º de fevereiro de 2027, a maior bancada feminina de sua história, com 109 deputadas entre 513 cadeiras, cerca de 21% da Casa. O recorde anterior, de 2022, foi de 90 mulheres.
O recorde de 109 deputadas e 18 senadoras é um avanço, mas veículos de esquerda sublinham que as mulheres, mais da metade da população e do eleitorado, ocuparão pouco mais de um quinto das cadeiras.
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5 fontes políticas
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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A Câmara dos Deputados terá a maior bancada feminina de sua história a partir de fevereiro de 2027, com 109 deputadas entre 513 cadeiras. O avanço é real, mas as mulheres ainda ocuparão cerca de um quinto da Casa, e os dados finais dependem do Tribunal Superior Eleitoral.
A Câmara dos Deputados terá, a partir de 1º de fevereiro de 2027, a maior bancada feminina de sua história. A cobertura de centro relatou que as eleições de 4 de outubro elegeram 109 deputadas federais entre as 513 cadeiras, o que representa cerca de 21% da Casa. O recorde anterior era de 2022, quando 90 mulheres foram eleitas, número que outra apuração registra como 91. A série histórica mostra crescimento gradual: 42 deputadas tomaram posse em 2003, 45 em 2006 e em 2010, 51 em 2014 e 77 em 2018.
Os números por partido variam levemente entre as fontes, mas convergem no essencial. O PT elegeu cerca de 25 ou 26 deputadas e o PL, 22. Em seguida vêm o PSOL, com 8, e União Brasil, PCdoB e Podemos, com cerca de 7 cada. A deputada mais votada foi Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, com 1,5 milhão de votos, seguida por Sâmia Bomfim, também do PSOL paulista, com 583.107, e por Julia Zanatta, do PL de Santa Catarina, com 560.223. São Paulo é o estado que mais contribui em números absolutos, com 16 deputadas. Mato Grosso do Sul elegeu proporcionalmente mais, com 4 mulheres, metade de sua bancada.
O recorte estadual reforça o quadro. Na bancada paulista, as mulheres passam de 13 para 16 entre os 70 deputados, enquanto os pretos e pardos caem de 10 para 7. No Rio de Janeiro, apenas 10 dos 46 eleitos são mulheres, ou 21,7%, uma a mais do que em 2022. Uma cientista política da UFRJ citada na cobertura avalia que a recomposição da direita abre espaço para hegemonia do PL naquele estado.
Veículos de esquerda destacaram o contraste entre o recorde e a desigualdade que permanece. Segundo esse enquadramento, as mulheres são cerca de 53% do eleitorado, mas ocuparão 21,2% da Câmara e 22,2% do Senado, onde serão 18 senadoras entre 81 cadeiras, contra 15 hoje. Dos 54 assentos em disputa no Senado, 12 foram para mulheres, contra 8 na eleição de 2018. Houve mais eleitas mesmo com menos candidatas à Câmara: 2.820, ante 3.317 em 2022. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, elegeu 34 das 109 deputadas, quase 39% de sua bancada de 88. A cobertura também ressaltou que mulheres negras eleitas à Câmara subiram de 9 para ao menos 15, segundo levantamento da organização Mulheres Negras Decidem, mas que nenhuma das 12 senadoras eleitas é negra. Benedita da Silva e Marina Silva não conseguiram vaga. Citando a professora Flávia Biroli, da Universidade de Brasília, o texto lembra que mais mulheres não significa necessariamente mais pautas de igualdade, já que a diversidade ideológica entre as eleitas também cresce. O exemplo foi Bia Kicis, do PL, eleita senadora pelo Distrito Federal, que terá a primeira bancada estadual inteiramente feminina do Senado ao lado de Michelle Bolsonaro e de Damares Alves.
Não houve, entre os artigos analisados, cobertura de veículos de direita sobre o recorte de gênero. A leitura provável desse campo, a partir dos fatos, é a de que o PL elegeu 22 deputadas e duas senadoras do Distrito Federal, o que mostra que a participação feminina avança também na direita, por meio do voto e não de reserva de cadeiras. A cota de 30% das candidaturas por gênero não fixa número mínimo de eleitas, apenas garante condições mínimas de participação e de recursos.
O que ainda não se sabe: os dados dependem da formalização do Tribunal Superior Eleitoral, que ainda precisa concluir o cálculo das vagas por quociente eleitoral e analisar candidaturas sub judice, e por isso podem mudar. Uma das apurações trouxe 108 mulheres no título e 109 no texto, e a contagem de deputados por partido difere entre as fontes. Não há segundo turno para deputados, de modo que a composição da Câmara deve se manter, mas a disputa de 25 de outubro para Presidência e governos pode alterar vagas no Senado por meio de suplentes.
Brasil elege maior bancada feminina da história, mas mulheres ainda ocuparão só 1 em cada 5 cadeiras
Quantidade de eleitas foi aumentando gradualmente desde 2003; deputada que mais recebeu votos no pleito deste ano foi Érika Hilton (PSOL-SP), com 1,5 milhão de apoiadores

Do total, oito se declaram pretos ou pardos. Especialista diz que recomposição no Legislativo abre espaço para a hegemonia do PL

Mulheres passam de 13 para 16 entre os 70 deputados federais paulistas; pretos e pardos caem de 10 para 7, e indígenas seguem sendo 2.

Pela Lei das Eleições, pelo menos 30% dos candidatos devem ser de um gênero e, consequentemente, no máximo 70% podem ser do outro.