O Partido dos Trabalhadores realiza nesta terça-feira, em sua sede em Brasília, o primeiro Encontro Nacional de Católicos e Católicas da legenda, a três meses das eleições de 2026. O evento reúne lideranças religiosas de diferentes regiões do país para debater, segundo o partido, o compromisso com o bem comum, a justiça social, a defesa dos pobres e a construção de um projeto democrático-popular. A presença da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e do presidente nacional do partido, Edinho Silva, está confirmada.
O movimento integra uma ofensiva mais ampla do PT para ampliar a aproximação com segmentos religiosos. No início de junho, a sigla já havia promovido um encontro semelhante voltado ao público evangélico, ocasião em que divulgou uma carta política com diretrizes do partido. Naquele congresso, a legenda optou por deixar de lado pautas de costumes, como aborto e casamento homoafetivo, em uma estratégia de reduzir o atrito com os fiéis.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta: descreveu o evento, confirmou as presenças e ancorou a notícia em pesquisa Datafolha divulgada neste mês. Segundo o levantamento, Lula tem a preferência de 53% dos eleitores católicos em um eventual segundo turno, contra 40% do senador Flávio Bolsonaro, do PL. O objetivo declarado do presidente é ampliar essa dianteira entre os católicos no pleito deste ano.
Veículos de direita enfatizaram a leitura de cálculo eleitoral por trás da iniciativa: o silenciamento das pautas de costumes e a mobilização da figura da primeira-dama e da estrutura partidária seriam tentativas de recuperar terreno entre um eleitorado religioso historicamente arredio ao partido, num momento em que Flávio Bolsonaro busca consolidar o voto conservador. Já veículos de esquerda tenderam a destacar o conteúdo social do encontro, com ênfase na defesa dos pobres, na justiça social e na ideia, expressa pelo coordenador inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, de que a relação com os fiéis é "uma questão de pertencimento", e não apenas estratégia. Barbosa também ressaltou a posição da sigla em defesa da ciência e afirmou que temas sensíveis estão em discussão no Congresso, enquanto o foco da gestão Lula, no momento, seria "governar o país".
O que ainda não se sabe é qual será o efeito concreto da ofensiva religiosa sobre as intenções de voto até outubro, se o PL e Flávio Bolsonaro responderão com mobilização equivalente entre católicos, e como o eleitorado evangélico, palco do primeiro encontro, reagirá às mesmas diretrizes. As matérias também não trazem o detalhamento da carta política nem o calendário dos próximos encontros do setorial inter-religioso da legenda.