Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, venceu o segundo turno da eleição presidencial em Minas Gerais no domingo, 25 de outubro. O presidente reeleito obteve 6.351.099 votos, ou 50,43% dos válidos, contra 6.241.786 votos, ou 49,57%, de Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal. A diferença final no estado foi de 109.313 votos.
Minas Gerais foi o único estado do país em que a liderança da disputa presidencial mudou entre os dois turnos. No primeiro turno, em 4 de outubro, Lula estava 588.612 votos atrás do adversário entre os eleitores mineiros. Entre uma votação e outra, o petista somou 1.162.163 votos no estado. Em todo o país, Lula terminou com cerca de 4,4 milhões de votos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro.
Até o momento, apenas um veículo publicou uma análise detalhada da virada mineira, com cobertura de perfil factual, centrada nos números oficiais. Segundo esse levantamento, a virada se explica por dois movimentos. O primeiro foi a vitória em mais municípios: Lula venceu em 528 das 853 cidades mineiras, o equivalente a 61,9%, contra 452 no primeiro turno. Flávio Bolsonaro ficou à frente em 325. O petista virou em várias cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como Ibirité, Nova Lima, Ribeirão das Neves, Sabará e Santa Luzia. Também passou à frente em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, cidade escolhida por Flávio Bolsonaro para a primeira visita a Minas na campanha de segundo turno.
O segundo movimento foi a redução da diferença nas grandes cidades. Lula venceu em apenas duas das dez maiores, Juiz de Fora e Ribeirão das Neves, mas diminuiu a desvantagem nas outras oito. Em Belo Horizonte, a frente do candidato do Partido Liberal caiu de 98.923 para 24.183 votos. Em Montes Claros, no Norte de Minas, passou de 14.763 para apenas 379 votos. Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, caiu de 42.914 para 20.128 votos.
Na divisão regional usada pelo Tribunal Superior Eleitoral, Lula virou o resultado na Região Central, que inclui a Grande Belo Horizonte, e no Campo das Vertentes. Manteve a liderança no Norte, no Mucuri, na Zona da Mata e no Jequitinhonha, onde passou de 61% dos votos. Flávio Bolsonaro seguiu à frente no Triângulo e Alto Paranaíba, no Sul e Sudeste, no Centro-Oeste, no Noroeste e no Rio Doce.
Como a análise mais detalhada veio de uma única cobertura, ainda não há leituras próprias de veículos de esquerda ou de direita sobre o resultado mineiro. Os números disponíveis permitem duas ênfases: a força do petista na periferia metropolitana e nas regiões mais pobres, de um lado, e a permanência do candidato do Partido Liberal nas regiões do agronegócio e do interior mais rico, de outro.
Ainda não se sabe o que motivou a migração de votos entre os turnos. A reportagem não traz pesquisa de perfil do eleitor, avaliação das campanhas nem o peso de apoios locais na virada.